Queda de preços nada tem a ver com boicote, diz Sindicarne
O Sindicato de Carnes do Paraná (Sindicarne) contestou ontem informações de que o embargo da carne bovina brasileira pelo Canadá tenha exercido influência sobre os preços internos. Para Gustavo Fanaya, assessor econômico do sindicato, a queda já era prevista, pois os preços estavam muito altos para o mercado brasileiro.
É um absurdo quer justificar tudo com o problema do embargo. A carne bovina estava com um preço considerado alto desde o começo de janeiro, disse Fanaya. Segundo ele, os agropecuaristas já estavam temendo a queda do preço da arroba por causa da suspensão da portaria que proibia o trânsito de boi gordo e carne com osso das zonas tampão para os demais estados que conquistaram o status de área livre de febre aftosa com vacinação.
Desde quinta-feira, animais do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais estão circulando livremente para serem abatidos e comercializados em outros estados, aumentando a competitividade do mercado. Portanto, essa queda já era prevista, independente da polêmica da vaca louca, acrescentou Fanaya.
No dia 2 de fevereiro, data do anúncio do boicote, o preço da arroba do boi no Paraná, era de R$ 39,00 na semana seguinte caiu para R$ 37,00 e desde quinta-feira está em R$ 36,00. Fanaya acrescentou que o problema maior é conseguirmos realmente ampliar o controle sanitário dos nossos rebanhos, que ele considera um controle parcial, já que tivemos focos de febre aftosa no ano passado na região do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Isso sim vai nos fortalecer a competir em um patamar de igualdade com outros países que exportam carne bovina. Na verdade, o boicote é uma pressão dos Estados Unidos para que adiantemos a formação da Alca, garantido um mercado consumidor brasileiro para os produtos americanos, declarou.
Para Hélio Toledo, diretor-executivo do Sindicato da Indústria do Frio no Estado de São Paulo (Sindifrio), o boicote não conseguiu alterar o mercado interno que consome 90% do que é produzido no país. Os abates nos frigoríficos só ficaram mais enxutos. Estamos cautelosos, mas a situação não é grave, explicou Toledo. A arroba do boi em São Paulo, ontem, esteve cotada em R$ 39,00 a prazo e R$ 38 à vista.
Suínos No caso da carne suína, a queda de preços não é considerada normal pelo setor. Ontem, o diretor técnico da Associação Paranaense de Suínos (APS), Severino Bezerra, afirmou que embora o preço tradicionalmente recue nesta época do ano, desta vez a queda foi brusca. A razão para isto, segundo Bezerra, é reflexo da queda do preço do boi.
Tivemos um queda média de R$ 0,02. Pode parecer pouco, mas é significativa pois nossa base de peso é 100 Kg, disse Bezerra. Segundo ele, após o boicote do Canadá, a carne suína caiu em 10%, ficando em R$ 1,10/Kg, com pouca perspectiva de compra, sendo que no mercado livre chega a R$ 1,35.
Frango Sem ligação direta com o episódio da exportação, o frango caiu. Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a carne de frango registrou queda de 6,67% no mês de janeiro.





