Queda de juros no ano passado elevou os empréstimos em 60%
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2001
Agência Folha De São Paulo 
O volume dos principais tipos de empréstimos concedidos por bancos no ano passado cresceu 60,1%, segundo o Banco Central. Os financiamentos fornecidos por cheque especial, crédito pessoal e desconto de duplicatas, entre outros, somavam R$ 153,85 bilhões no final do ano passado. O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, afirmou que o crescimento do ano passado é importante, mas lembrou que ele se deu sobre um mercado inexpressivo em 1999.
Se forem considerados também outros tipos de empréstimo como os financiamentos rural e imobiliário , o número passa para cerca de R$ 300 bilhões, que equivale a pouco menos de 30% do PIB brasileiro. Figueiredo disse que o objetivo é fazer que o volume de crédito chegue a 70% do PIB no longo prazo. Mas não vai ser em um ou dois anos que vamos chegar lá.
O aumento no volume de empréstimos favorece o crescimento da economia, pois incentiva as pessoas a consumir e as empresas a produzir mais. Por outro lado, um crescimento muito rápido do crédito poderia provocar aumento da inflação.
O diretor do BC atribuiu a expansão do crédito à queda nos juros cobrados do consumidor no último ano. Entre junho e dezembro de 2000, a taxa média praticada pelos bancos caiu de 56,3% para 51,1% ao ano.
O BC não soube informar o tamanho da redução ocorrida em todo o ano de 2000, devido a mudanças efetuadas em maio no método utilizado pela instituição para calcular as taxas.
A queda foi maior para as pessoas físicas do que para as empresas. No primeiro caso, a taxa média passou de 76,6% para 66,5% ao ano no último semestre. No mesmo período, as taxas cobradas de pessoas jurídicas passaram de 38% para 34,6% ao ano.
Além da queda nas taxas, houve também uma redução no chamado spread bancário diferença entre os juros cobrados pelos bancos e os juros básicos.
Entre junho e dezembro, o spread caiu de 38,4% para 35,2% ao ano. Segundo Figueiredo, a redução é um sinal de que a oferta de crédito ainda é maior do que a procura por empréstimos.
Desde 1999, o BC vem anunciando medidas que têm por objetivo reduzir esse spread. Uma das principais foi a redução do compulsório, que é a parcela dos depósitos que os bancos são obrigados a recolher ao BC, sem receber nenhuma remuneração.


