As novas regras para financiamento anunciadas no mês passado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reaqueceram o mercado de caminhões novos no País. Em julho, pela primeira vez no ano, segundo as montadoras, houve crescimento de 13% nos emplacamentos de caminhões. No Paraná, as concessionárias já comemoram o bom momento. Em um financiamento de R$ 100 mil, segundo a Tropicam, concessionária Ford de Londrina, é possível economizar até R$ 36 mil.
A queda dos juros do Procaminhoneiro - linha de financiamento destinada a caminhoneiros autônomos e microempresas - foi de 67%. A taxa despencou de 13,5% para 4,5% ao ano. Já no Finame, voltado para empresas, a redução foi menor, mas bastante significativa: de 10,25% para 7% ao ano, ou 31% mais em conta. As novas regras valem até o final do ano e o orçamento autorizado pelo BNDES é de R$ 1 bilhão.
''Até o dia 12 (deste mês), já tínhamos batido nossa meta de venda de 20 caminhões no mês'', contou o gerente de Vendas da Tropicam de Londrina, Gregório Miano. Segundo ele, é esperada uma grande corrida às concessionárias até dezembro. ''A procura está muito boa. Estamos fazendo pelo menos cinco cadastros por dia''.
A pedido da FOLHA, Miano simulou um financiamento pelo Finame em 60 meses, no valor de R$ 100 mil, de acordo com os juros antigos e os novos. A diferença chega a R$ 36 mil (ver quadro). Paulo Maximiano de Souza, proprietário da 3M Materiais de Construção, de Sapopema (132 km ao sul de Cornélio Procópio), acaba de comprar um Ford Cargo 2428. Ele deu 20% de entrada e vai financiar o restante em 48 meses. ''Com a economia (proporcionada pela queda de juros), vou conseguir pagar o motorista nesses 48 meses. Antes, seria inviável eu comprar o caminhão'', alega.
Na Baden, concessionária da Volkswagen de Cambé, o diretor Fernando Prochet afirma ter faturado, nos primeiros dez dias de agosto, o mesmo que em todo o mês de julho. ''O mercado estava esperando as novas regras e o nível de procura agora é excelente.'' Segundo Prochet, todos os segmentos, de autônomos às grandes empresas, estão procurando comprar novos caminhões. Mas a Baden fechou apenas um negócio pelo Procaminhoneiro. ''As empresas bem estruturadas têm mais facilidade de crédito. Para os caminhoneiros, a obtenção do crédito é mais complicada.''
Na Tropicam, somente as empresas conseguiram aprovação de crédito junto aos agentes financeiros. ''Tivemos muita procura de autônomos, mas ainda nenhum Procaminhoneiro foi liberado. Estamos sugerindo que os caminhoneiros procurem o Banco do Brasil. Os bancos privados dão prioridade para quem tem conta com eles'', afirma Gregório Miano.
''Oportunidade única''
Segundo Antonio Carlos Sêncio Paes, diretor comercial da Rivesa, revenda Volvo de Maringá, esta é uma ''oportunidade única'' para a renovação da frota. 'Se a gente considerar que a inflação está batendo em 5% e o governo facilita a compra de caminhões a 7% (Finame) e 4,5% (Procaminhoneiro), é uma coisa inusitada'', alega.
Ele também destaca uma maior dificuldade para o caminhoneiro obter crédito. ''Os bancos não querem assumir risco em função de que a garantia oferecida pelo autônomo é menor. Mas, junto com o pacote que reduziu os juros, o governo propôs um fundo garantidor para o caminhoneiro. Só que a gente ainda não sabe, na prática, como isso vai funcionar'', diz. Paes ressalta que, além de juros mais baixos, o comprador ainda se beneficia, até o fim do ano, do IPI zero, que deixou o preço do caminhão em média 5% mais barato.

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