Queda de juros ainda não ajudou os endividados
Mônica Ciarelli
Agência Estado
Quem precisou pagar dívidas ou tomar dinheiro emprestado no Brasil ainda não sentiu no bolso os efeitos da queda dos juros do ano passado. As medidas para reduzir a diferença entre a taxa de captação e a paga pelos consumidores também ainda não surtiram efeito. Enquanto a taxa de juros básica permanece em 19% ao ano, o brasileiro paga 293 37% ao ano nos empréstimos pessoais.
A estratégia do governo, de interromper o processo de queda dos juros há cinco meses, não contribuiu para aliviar a pressão sobre os endividados. Com uma posição cautelosa ante a escalada da inflação, o Banco Central buscou analisar as raízes da diferença significativa entre a taxa de captação e a de empréstimo. O resultado foi um pacote de medidas para baixar os juros ao consumidor, adotado em outubro.
Uma pesquisa feita pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) aponta os juros de 293,37% ao ano do empréstimo pessoal como o mais elevado. Em seguida vem os 247,9% pagos no parcelamento do cartão de crédito.
O levantamento mostra que entrar no cheque especial é um
perigo. O cliente paga em média 10,34% ao mês, o que representa uma taxa anual de 225,68%.
Dados da Anefac mostram que o lucro dos bancos nas operações de crédito subiu ao longo de 1999. Ele cita como exemplo o caso do cheque especial. A parcela do lucro das instituições cresceu de 30% em abril para 39% em outubro. Os números após essa data ainda não estão disponíveis, mas o presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro, não acredita em mudanças significativas.





