São Paulo - Enquanto a indústria de fundos de investimentos não pára de receber recursos, contando atualmente com o mais elevado patrimônio de sua história, os fundos DI sofrem com a perda de capital. A categoria é a que mais teve resgates em 2007: os saques superam as aplicações em R$ 4,81 bilhões no ano, segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).
A queda na taxa básica de juros da economia - e o consequente encolhimento da rentabilidade dos DIs - tem sido um fator negativo para a categoria. Sua atratividade diminui mês a mês, espantando investidores.
Segundo a classificação da Anbid, os fundos DI têm de investir, no mínimo, 95% do valor de sua carteira em títulos ou operações que busquem acompanhar as variações do CDI ou da taxa básica de juros da economia, a Selic.
A caderneta de poupança, que não cobra taxa de administração e IR (Imposto de Renda), também está na rota dos investidores: no ano, até o dia 26, teve captação líquida de R$ 3,78 bilhões, segundo dados levantados pelo Banco Central.
O fato de o mercado estar atravessando uma boa fase tem estimulado muita gente a sair do DI para tentar ganhar mais. ''O investidor tem olhado mais a rentabilidade do que o risco'', diz Marcelo D'Agosto, sócio-diretor do site Fortuna, especializado no acompanhamento do mercado de fundos.
Isso acaba por se refletir nas captações dos fundos de ações e multimercados, que têm recebido volumosos recursos.
''O problema é que muita gente acaba deixando de avaliar os riscos'', diz D'Agosto. Ou seja, se a Bolsa de Valores começar a cair, empurrada por realização de lucros ou uma piora no cenário econômico internacional, assustará muita gente que decidiu aplicar em ações devido à rápida valorização nos últimos dois meses.
A rentabilidade média dos fundos DI tem sido baixa se comparada a outras aplicações. No acumulado deste ano, está em 3,94%. Os fundos de renda fixa, que também pagam juros, têm retorno médio de 4,32% no ano. Essas aplicações têm de investir pelo menos 80% de sua carteira em títulos públicos federais ou ativos com baixo risco de crédito, em boa parte com taxas prefixadas.
A poupança, que rendeu 2,63% em 2007 até o momento, tem ganhado atratividade por não cobrar nem taxa de administração nem IR. Assim, tem conseguido superar a rentabilidade líquida (descontadas as taxas) de muitos fundos DI.
O grande destaque de rentabilidade do ano são os fundos de ações, que acompanham a Bolsa de Valores de São Paulo.

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