Queda de juro aquece venda de carro
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de novembro de 1998
Pedro Livoratti 
Depois de um ano de turbulências, que retraiu a economia nacional e colocou o mercado em compasso de espera, as revendas de veículos se preparam para recuperar as vendas neste fim de 98. O pagamento do 13º salário somado à queda de aproximadamente 50% nas taxas de financiamento cobradas pelos bancos das montadoras são os trunfos das concessionárias para atrair o consumidor. Soma-se a isso ainda o comportamento do mercado, que tradicionalmente se aquece no final do ano, com ou sem crise econômica.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Veículos de Londrina e Região (Sincovave), que representa 54 concessionárias do norte do Estado, Rodolfo Montosa, afirma que, pela ótica do consumidor, a compra do carro hoje é inadiável. O motivo principal é a redução das taxas de juros dos bancos das montadoras. A compra a crédito pode ser feita com juros fixos mensais de menos de 1%, dependendo da marca e do modelo do veículo (veja matéria nesta página).
As montadoras já lançaram os seus pacotes de final de ano. A hora de comprar é agora porque as oportunidades são boas, afirma Montosa. Segundo ele, além dos juros mais acessíveis para financiamentos, o consumidor também pode optar pelo consórcio. De acordo com o presidente do Sincovave, esta modalidade de compra é muito procurada pelo consumidor e representa aproximadamente 30% das vendas de veículos zero quilômetro.
Mas os juros do comércio de automóveis, mais baixos do que o de outros segmentos, não são o único atrativo para o consumidor, observa o revendedor. Ele lembra que a indústria automobilística amadureceu nos últimos anos, com a abertura e globalização. Hoje, oferece um produto de qualidade e tecnologia mais apuradas ao mercado nacional. Nas concessionárias brasileiras o consumidor tem acesso a veículos comparáveis ao que se negocia no mercado internacional. O que se compra é tecnologia de ponta. O veículo nacional não deve nada ao importado.
A abertura do mercado, analisa Montosa, modificou também o comportamento do consumidor, que se tornou mais exigente. Há cerca de cinco anos, o País tinha apenas quatro montadoras instaladas. Até 2001, deverão ser 28 fábricas. Isto mostra o interesse das grandes corporações pelo nosso mercado, afirma.
Houve avanços também em variedade. O consumidor pode optar por cerca de 40 modelos, mais do que o dobro da oferta do início da década. Na verdade o mercado oferece várias alternativas para consumidores com necessidades diferentes, complementa. Seguindo esta tendência, as montadoras passaram a fabricar no País modelos off road e tops de linha que não perdem em nada para os importados, afirma. É a vez do consumidor, diz.


