Queda de 21% da inadimplência até março indica reação
Emerson Cervi
De Curitiba
Levantamento nacional feito pelo Serasa mostra uma queda na inadimplência no primeiro trimestre de 2000 em relação ao mesmo período do ano passado. A redução média foi de 21,1%. A inadimplência é medida pelo volume de títulos protestados e pelo número de pedidos de falências e concordatas requeridas. Foram protestados 1,46 milhão de títulos nesse ano contra 1,84 milhão em 1999.
A maior diferença ficou por conta dos títulos de pessoas jurídicas, com 23% a menos. Nas pessoas físicas a queda ficou em 16,5%. A pesquisa não mostra a situação de cada região, mas as quatro varas de falências e concordatas do Tribunal de Justiça do Paraná registraram uma queda de 20% no número de processos no mesmo período. Nos primeiros três meses de 1999 foram 128 falências e quatro concordatas. Em 2000 são 106 falências e quatro concordatas.
Para o coordenador de conjuntura do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-Pr), Gilmar Lourenço, a melhoria das condições econômicas no Paraná e Brasil são responsáveis pela queda na inadimplência. Essa tendência começou a ser sentida no último trimestre do ano passado, quando houve um crescimento das exportações e a substituição de importações por produtos nacionais, explica. O aumento da demanda interna leva a um quadro favorável para as empresas e os consumidores em geral.
No mês de março foi registrada a maior redução nos protestos de títulos durante o primeiro trimestre de 2000. Foram 27,3% a menos em relação a março de 1999, passando de 670,8 mil no ano passado e 488 mil títulos nesse ano. A tendência de queda no número de protestos vem sendo registrada desde meados do ano passado.
O volume de falências em março de 2000 ficou 46,3% menor que no mesmo período de 1999. Neste ano foram requeridas 1,61 mil falências, contra 3 mil registros em 1999. No primeiro trimestre a redução foi de 40,7%, passando de 6,46 mil requerimentos contra 3,83 mil agora. As concordatas caíram 23,5% no último mês em relação a março passado. A queda no volume acumulado entre janeiro e março foi de 35,5%.
Algumas medidas tomadas no setor financeiro durante esse período também colaboraram para a redução da inadimplência. Uam delas foi a redução da taxa referencial de juros do Banco Central, que caiu de 19% para 18,5%. A diferença é pequena, mas ajuda a oxigenar o mercado, diz o coordenador. A redução do depósito compulsório dos bancos também influenciou a redução da inadimplência. A passagem de 65% para 55% em depósitos compulsórios permitiu que os agentes financeiros dispusessem de mais recursos para emprestar ao mercado.





