Queda das cotações do milho preocupa governo
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terça-feira, 28 de janeiro de 1997
Mariângela Heredia Agência Estado 
BRASÍLIA - A queda de preço do milho, que em algumas regiões já está abaixo do mínimo, que é de R$ 6,70 por saca de 60 quilos, preocupa o governo. O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, disse que, tecnicamente, não há nada que justifique a queda.
O governo não tem estoques elevados e o mercado internacional não registra esta redução no preço. A alternativa que sobra, na avaliação do ministro, é que a indústria ou algum comerciante atravessador tivesse produto estocado e contasse, com este estoque, em especular para a elevação do preço. Mas conseguimos administrar o preço, remunerando o produtor e garantindo o abastecimento da cadeia produtiva de frangos, suínos, etc, afirmou Porto. Ele garante que se o governo resolver comprar milho hoje, não vai ser do produtor, mas daqueles que seguraram o produto para especulação.
O instrumento ideal para a comercialização do milho, na avaliação do ministro, seria o leilão de Prêmio para Escoamento da Produção (PEP), como está sendo feito para o trigo. Mas a dificuldade com o milho é a pulverização de compradores e vendedores, que o mercado não pode assimilar, observa.
Porto garante, entretanto, que no futuro a comercialização deverá ser feita via PEP. No PEP o governo apenas estimula o encontro entre produtores e compradores, dentro de um processo de comercialização, explica. E num determinado momento, o produtor vai se acostumar a ir às bolsas buscar preço e comercializar.
O ministro lembra que, com o PEP o governo cumpre sua missão de intermediar o mercado, mas sem comprar e vender. Se tivéssemos comprado um milhão de toneladas que serão escoadas através do PEP não tínhamos dinheiro para fazer a comercialização. O custo do PEP (subsídio) vai ficar menor que se estivéssemos estocando, garantiu.


