São Paulo - O professor Decio Zylbersztajn, coordenador do Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial (Pensa-FIA/USP), diz que a queda dos preços de commodities agrícolas importantes, como a soja e o algodão, ainda não afetou a venda de produtos agrícolas.
Segundo ele, as indústrias de insumos agrícolas com as quais tem conversado ainda trabalham com o cenário bastante positivo. ''A indústria de sanidade vegetal, por exemplo, neste momento já tem uma boa sinalização de colocação de produto, o que não quer dizer garantia de compra da mercadoria pelo consumidor final''. Zylbersztajn participou ontem pela manhã com um dos debatedores do Fórum Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) e Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
Em relação às perspectivas para o próximo ano, Zylbersztajn disse que existem alguns fatores para serem consolidados, como a questão do câmbio, que poderia reverter a situação atual de queda da renda na agricultura. Ele explica que neste momento o câmbio está supervalorizado, o que implica numa penalização do exportador, mas facilita a indústria que depende de insumos importados. ''As pressões por alguma desvalorização devem começar em breve'', diz.
O professor chama a atenção para o fato de as perspectivas para o setor sucroalcooleiro serem otimistas, em função da mudança na política européia para o açúcar e observa que o cenário não é de todo favorável ao Brasil. ''Naqueles mercados em que a Europa não vai entrar, vamos ter que competir com outros países produtores, como a África do Sul e a Austrália. Vamos ter que mostrar competência para entrar neste mercado''.
Em relação à exportação de álcool, Decio Zylbersztajn, disse que a conquista dos mercados vai depender do laço de alianças que o Brasil tiver com alguns países-chaves. ''No caso dos Estados Unidos, ele diz que é pessimista por causa do lobby do milho. ''O Brasil só vai conseguir entrar no mercado de álcool dos Estados Unidos de modo significativo se a demanda crescer muito e os produtores norte-americanos não conseguirem suprir o mercado interno. Ele aposta nas exportações de álcool para o países asiáticos.
Outro produto que apresenta boas perspectivas de preços é o café, cujas cotações estão em alta nas bolsas internacionais. Na opinião de Zylbersztajn, ''o café brasileiro vai entrar num novo ciclo, que não é de alta de preços, mas de alta de qualidade''. Ele observa que o Brasil continuará produzindo cafés de todos padrões, para atender os diversos tipos de demanda do mercado internacional, mas irá se aproveitar mais da questão do alto qualidade. ''Os preços do café vão seguir oscilando, de acordo com a oferta e demanda mundiais, mas quem produzir cafés de melhor qualidade vai sentir menos quando o impacto da volatilidade de preços for negativo.''

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