Curitiba - Caso a crise econômica dos Estados Unidos se estenda por mais dois ou três meses vai trazer redução de produção para as empresas, de investimentos e corte de empregos. Uma fonte de captação de recursos para as companhias é ter o capital aberto com ações negociadas na bolsa de valores. Com a queda geral dos papéis que vem ocorrendo na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) as ações das principais companhias do Paraná caíram até 58%.
''Fechada a torneira da capitalização (bolsa) e a do crédito internacional por conta da crise, as empresas vão ter que recorrer ao mercado interno'', disse o coordenador do curso de Economia da FAE Business School, Gilmar Mendes Lourenço. Com isso, para capital de giro, as empresas terão que recorrer a linhas de bancos comerciais e, para investimento, linhas de bancos comerciais e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). ''O crédito está minguando no mundo e no Brasil. No curto prazo, a capacidade das empresas crescerem é bastante reduzida'', destacou.
Ele lembrou que o cenário mundial é de apreensão e de expectativa. ''Por enquanto, as medidas dos EUA preservam as contas correntes, a poupança e as aplicações em geral'', disse. Lourenço destacou que ''as empresas já colocaram o pé no freio dos investimentos e precisam de crédito para giro dos negócios.
''O grande problema de uma crise como essa dos EUA é que gera outra crise - a de credibilidade das análises econômicas que são feitas'', alertou.
Segundo ele, a crise com essa magnitude e profundidade não pode virar o ano de 2008. Lourenço prevê que o problema dificilmente vai ser resolvido enquanto o governo Bush estiver no comando porque ele não tem credibilidade política.
A empresa de telefonia GVT informou que não poderia comentar a queda das ações (de -32%) porque está em período de silêncio até a divulgação do balanço do terceiro trimestre que acontece no dia 15 de outubro. Essa restrição é imposta pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A empresa esclareceu apenas que não há possibilidade de demissões. A companhia emprega 4.100 funcionários, atua em 80 cidades de 14 Estados e cresce cerca de 35% ao ano.
O superintendente de relações com investidores da América Latina Logística (ALL), Rodrigo Campos, disse que a empresa tem um ''colchão de caixa para crescer nos bons e maus momentos''. Segundo levantamento da FOLHA, a queda nas ações da ALL foi de 47%. Hoje a companhia dispõe de um caixa de R$ 2,5 bilhões e, de acordo com Campos, pode crescer sem utilizar o mercado de crédito nos próximos dois anos. Campos disse que a ALL não prevê revisão de investimentos para baixo. ''Estamos preparados para crescer e não precisamos de capital a médio prazo'', disse. A empresa emprega 5.300 funcionários e também não cogita demissões.
A Sanepar não tem procedimento de aumento de capital através de bolsa como meio de financiar as atividades. A afirmação é do diretor de relações com investidores da empresa, Germinal Pocá. Segundo ele, a queda das ações, de 29,13%, não tem efeito na parte econômica e financeira da empresa. Os investimentos são realizados com financiamentos da Caixa Econômica Federal, do BNDES e recursos próprios.
A Copel e a Positivo Informática foram procuradas pela reportagem, mas não deram retorno até o fechamento desta edição.

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