As quedas consecutivas nos juros básicos da economia, que na quarta-feira passada caíram, pela 7ª vez desde janeiro - para 23,5% - ainda não chegaram ao consumidor. O londrinense amarga taxas mensais de mais de 8% ao mês para compras a prazo no comércio varejista. Isso equivale a juros anuais de 150%, bem longe dos pouco mais de 20% fixados pelo Banco Central. Por enquanto, o único benefício imediato que a redução da taxa básica propiciou foi um poder maior de negociação nas compras à vista. Quem usa o crediário, continua pagando caro.
Um dia após o anúncio da queda dos juros, na última quinta-feira, a Folha levantou que as taxas praticadas no varejo de Londrina variavam de 5,5% a 8%, dependendo do número de parcelas. A grande maioria das lojas repassa juros cobrados por financeiras. Segundo os vendedores, as taxas não estão sofrendo alterações mesmo com a redução drástica da taxa Selic nos últimos meses, que despencou de 49,5% em janeiro para 23,5% esta semana. A expectativa do mercado é de que as taxas caiam ainda mais, mas na ponta do consumo a queda é muito mais lenta.
Pesquisa em cinco lojas da cidade para verificar o preço e as condições de pagamento de uma televisão de 29 polegadas, tela plana, mostra a quantas anda o juro no comércio. A análise considerou marca e a oferta oferecida pelas lojas. Na primeira consulta a TV era oferecida à vista por R$ 1.150,00. Considerando juros de 8% ao mês, cobrados pelo estabelecimento, a mesma TV passaria a custar R$ 3.050,00 no caso do consumidor optar pelo crediário em 24 vezes. O preço final é 165% mais alto do que o cobrado à vista.
A segunda consulta mostrou que a mesma TV custava à vista R$ 1.145,00. Nesta loja o cliente poderia optar pelo plano próprio que previa juros de 5,5% ao mês para pagamento em 10 vezes. Segundo o vendedor, a tabela se referia a um juro promocional, já que as taxas mensais - cobradas fora do referido plano - estavam fixadas em 8,95% ao mês. A terceira e quarta consultas apontaram condições de pagamento bastante parecidas, com juros de 6,5% e 6,6% mensais. Foram pesquisados os valores de uma mesma marca de televisão, cujos preços à vista mostravam diferenças grandes. Numa loja a marca era oferecida a R$ 809,00 e na outra, a poucos metros de distância, a R$ 849,00 - uma diferença de quase 5%.
Na quinta loja consultada, o televisor estava sendo vendido a R$ 799,00 à vista. O produto também era oferecido em planos parcelados, que variavam de acordo com o prazo de pagamento. Em 10 vezes, a TV poderia ser comprada por parcelas fixas de R$ 112,25 (juros mensais de 8,5%) ou em quatro pagamentos de R$ 217,56 (juros de 6% ao mês). O vendedor informou que se a compra fosse efetuada até o final do mês seria possível reduzir a taxa do plano de 10 pagamentos para 7,5%.
As consultas mostraram que os juros são repassados ao consumidor sem qualquer consideração de que as taxas básicas da economia estão em queda vertiginosa e que a trajetória é de novas quedas. Mesmo com as reduções anunciadas após a crise cambial, as taxas brasileiras ainda são muito altas, quase 500% maiores do que as cobradas em países desenvolvidos que registram 4,5% de juros ao ano.
Juros mais civilizados estão sendo cobradas dos consumidores que financiaram carro zero nos últimos meses. O presidente da Fenabrave/PR, Daniel Russi Filho, explica que as taxas variam de acordo com a marca do automóvel e representam juros subsidiados através de acordos entre fabricantes e rede de concessionários. A rede Volkswagen, por exemplo, cobra juro de 1,59% este mês. Russi Filho acredita que, mesmo com tendência de novas quedas, os fabricantes não deverão mexer nas taxas atuais.Cesar AugustoEmpréstimo caroPreços dos eletroeletrônicos mostram abusos à vista e a prazoPedro Livoratti

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