Queda da Selic vai reduzir R$ 2 bi da dívida pública
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sexta-feira, 22 de dezembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
A queda promovida pelo Banco Central (BC) da taxa básica de juros (Selic) de 16,5% para 15,75%, vai garantir uma redução de no mínimo R$ 2 bilhões no estoque da dívida pública em 12 meses. Isso porque 52,15% do total da dívida em títulos públicos são indexados à taxa Selic. O secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rubens Sardenberg, admitiu hoje, no entanto, que o ganho com a queda da Selic pode atingir até R$ 3 bilhões, com o impacto da decisão do Banco Central em outros papéis emitidos pelo Tesouro Nacional e BC. Para o secretário do Tesouro, Fábio Barbosa, a redução no estoque da dívida é expressiva.
A dívida mobiliária do Tesouro fechou o mês de novembro com um saldo de R$ 397,808 bilhões, valor R$ 4,5 bilhões menor do que o saldo de outubro que era de R$ 402,310 bilhões. Essa queda foi provocada pelo uso do dinheiro obtido pelo governo com a privatização do Banespa.
Já o consultor especialista em contas públicas Raul Velloso disse que ao reduzir a Selic, o que o Banco Central fez foi, mera e simplesmente, ajustar a taxa de juros real à queda da inflação e manter essa taxa real, assim, inalterada. A taxa de juros real corresponde à nominal descontada a inflação.
Carros Os bancos das montadoras só devem reduzir os juros para financiamento de veículos a partir de janeiro. De acordo com as principais instituições - Volkswagen, Fiat, General Motors e Ford -, as festas de fim de ano vão adiar a decisão sobre os reflexos da queda da Selic da economia brasileira nas taxas praticadas pelo setor. As taxas cobradas pelos bancos das montadoras são de 1,90% ao mês em média para os contratos de financiamento e leasing.
TJLP O Banco Central também adotou o critério da inflação futura para baixar o valor da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para o próximo trimestre de 9,75% para 9,25%. Segundo o diretor de Normas do BC, Sérgio Darcy, a redução da TJLP foi feita considerando-se a meta de inflação para 2001 que é de 4%.
Ele explica que nas suas contas considerou a taxa média nominal de 2000 de 17,7% deflacionada pela expectativa do mercado para o IPCA este ano, de 6,1% para chegar na taxa de juros real de 10,9% em 2000. Para 2001, esta usando como deflator a expectativa do mercado para o IPCA 2001 segundo pesquisa do BC, que é de 4,3%. (Colaborou Agência Estado de São Paulo e Rio de Janeiro)


