Queda da Selic deve ter efeito a médio prazo
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terça-feira, 11 de abril de 2017
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
O Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzir a taxa básica de juros (Selic) em um ponto percentual, caindo para 11,25 ao ano. A expectativa está no boletim Focus, uma publicação elaborada semanalmente pelo Banco Central (BC) com base em projeções de analistas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. A reunião mensal do Copom se encerra nesta quarta-feira (12), em Brasília.
A projeção para a taxa ao final deste ano foi reduzida de 8,75% ao ano para 8,50% ao ano. Para o fim de 2018, a expectativa segue em 8,50% ao ano. Caso se confirme a redução da taxa, será o quinto corte consecutivo. Em fevereiro, o comitê baixou a Selic de 13% para 12,25% ao ano.
A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores impulsionam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica. O economista Márcio Luis Massaro, coordenador do curso de administração e ciências contábeis da Faculdade Paranaense (Faccar), explicou que essa queda de 1% sozinha e a curto prazo não terá impactos no dia a dia do cidadão. Mas a médio e longo prazo representa uma possibilidade de queda do custo do dinheiro.
"Ela (a queda) é simbólica no sentido de falar que está acontecendo uma diminuição constante da taxa de juro. Essa diminuição de 1% em uma mesma reunião é uma queda muito grande", avalia o economista.
Ele enfatizou que a médio prazo vai surtir efeito no bolso do consumidor. "Quando ele for comprar, por exemplo, uma máquina de lavar roupa, vão se abrir linhas de créditos mais vantajosas. Mas isso tudo depende do setor bancário repassar esses benefícios para o cidadão", disse.
"A médio prazo chega em forma de mais investimentos e melhoria nas condições de emprego. Uma queda na taxa de juros é boa para todos", afirmou Massaro. Em curto prazo, a queda da Selic vai influenciar na decisão de tomada de crédito do grande investidor e com isso, pode estimular a criação de empregos.
A perspectiva dos economistas é que a taxa feche o ano na casa dos 8,5% a 9%, mas como a Selic é influenciada pela taxa de juros dos Estados Unidos, se houver uma sinalização de alta no mercado norte-americano pode representar um freio na tendência de queda no Brasil. "Acredito que 9% é uma taxa razoável pela pressão inflacionária que estamos vivendo", comentou Massaro.
PARA A INFLAÇÃO
A estimativa do mercado financeiro para inflação caiu pela quinta vez seguida. Desta vez, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi levemente ajustada de 4,10% para 4,09%.
A projeção para a inflação neste ano está abaixo do centro da meta, que é 4,5%. A meta tem ainda limite inferior de 3% e superior de 6%. Para 2018, a estimativa passou de 4,5% para 4,46%.
A projeção de instituições financeiras para o crescimento da economia (Produto Interno Bruto PIB, soma de todas as riquezas produzidas pelo país) este ano foi alterada de 0,47% para 0,41%. Para o próximo ano, a estimativa permanece em 2,5%. (Com Agência Brasil)


