Queda da Selic deixa poupança mais rentável
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quinta-feira, 19 de abril de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
A redução da taxa básica de juros (Selic) de 9,75% para 9% anunciada anteontem pelo Banco Central (BC) torna as aplicações na caderneta de poupança ainda mais atrativas frente aos fundos de renda fixa. A Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgou ontem um estudo analisando a rentabilidade de ambas as aplicações em diversos cenários, sendo as variáveis o prazo de resgate do capital, a alíquota do Imposto de Renda (IR) e taxa de administração das instituições financeiras, que oscilam no sistema financeiro entre 0,5% e 2,5%.
Das 16 simulações em quatro períodos de prazo de resgate distintos (ver quadro de simulação), a poupança foi mais rentável 12 vezes. ''A Selic baliza as aplicações financeiras, porém, a poupança não sofre com as mesmas tributações dos fundos de renda fixa, ligadas ao IR e ao tempo de aplicação'', relatou Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor executivo dos estudos financeiros da entidade.
O estudo tomou como base a rentabilidade da poupança de 0,54% ao mês, já que a caderneta tem seu ganho garantido por lei de 6% ao ano, mais a taxa referêncial (TR). Nos casos em que o cliente necessita do dinheiro a curto prazo (até seis meses), os fundos de renda fixa não foram mais rentáveis que poupança nem em casos que a taxa de administração dos fundos ficaram em apenas 0,5%. ''Antes desta última redução da Selic, a rentabilidade da poupança já era superior em diversos casos, principalmente em taxas de administração de 2%. Se o BC continuar reduzindo, logo a poupança estará sendo superior em todos os casos'', decretou Oliveira.
Neste cenário, a Anefac projeta que com novas reduções da Selic vislumbradas pelo BC poderão apressar mundanças nas regras da poupança com o intuito de evitar a migração dos recursos de renda fixa para a caderneta, o que poderia causar o excesso de recursos para a poupança de um lado e dificuldades de financiamento da dívida pública de outro. ''Os fundos de renda fixa são títulos do governo, que não podem deixar de ser negociados, já que o governo pode ter dificuldades de financiar a dívida pública. O que deve ser feito é um balanceamento dos dois'', ressaltou o diretor.
As alternativas para balancear esta conta são atrelar o rendimento da poupança à variação da taxa de juros ou tributar a poupança. ''Para o governo, é menos traumático atrelar a poupança à Selic. Tributá-la pode causar desconfiança da população, até pela tradição desta aplicação ser isenta de impostos. O PT não vai querer ser considerado o governo responsável por esta ação'', completou Oliveira.



