Queda da Selic ainda não reduziu custo do dinheiro
A queda da taxa Selic em 0,25%, ficando em 12,75% ao ano, não muda em praticamente nada o custo do dinheiro para investimentos no setor produtivo. Segundo a Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio), a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) gera desconforto no setor. A reclamação é focada principalmente no fato de que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2006 foi de pouco mais de 3%, muito abaixo da média de crescimento mundial. Além disso, nos últimos doze meses, o IPC mostrou uma alta de 2,99% e não dá mostras de que há qualquer possibilidade de a inflação disparar. Com taxas de juros tão altas os investimentos se retraem e a economia não acelera.
''Os recentes eventos nos mercados financeiros internacionais - queda da Bolsa de Xangai e indicadores econômicos norte-americanos sem um rumo definido - não podem ser usados como argumentos para justificar uma atitude mais conservadora do Copom. O que deve pautar essas decisões são fatores que podem influenciar a inflação de forma definitiva e no longo prazo, entre eles projeções de preços e nível de atividade e demanda'', afirma o presidente da Fecomercio, Abram Szajman.
O presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro, diz que a política monetária do governo está beneficiando apenas os bancos. Um estudo feito pelo Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad) mostra que o lucro líquido semestral dos cinco grandes bancos brasileiros (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Unibanco e Banespa) cresceu 132,5% do início do primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva até junho de 2006.
'''É um número assustador. Não existe empreendimento produtivo no Brasil que renda tanto. Esses lucros astronômicos estão sendo conseguidos à custa da política econômica do governo que não privilegia a produção'', explica Ribeiro.
Para piorar, a população está ficando cada vez mais endividada. O número de consumidores que possuem dívidas voluntárias (cheque especial, cartão de crédito, empréstimo pessoal ou prestações) atingiu 61% em fevereiro, alta de três pontos percentuais no comparativo a janeiro (58%). O resultado faz parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP).
''Veja o caso dos cartões de crédito. Segundo a Associação Nacional dos Usuários de Cartão de Crédito (ANUCC), algumas operadoras de cartões chegam a cobrar 488% ao ano. A taxa rotativa mês chega a 12% ou mais. O fato é que seja o empresário ou a pessoa comum, conseguir crédito no Brasil é uma tarefa para poucos'', comenta Ribeiro.
Segundo ele, mesmo as verbas destinadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não chegam a quem realmente necessita. Ribeiro explica que o dinheiro é disponibilizado pela estatal para os bancos que deveriam endereçá-lo para a produção. ''Acontece que a burocracia é tão grande que as empresas médias e pequenas não têm acesso. E quando conseguem algum financiamento o prazo é pequeno. Para a compra de um equipamento, por exemplo, o ideal é que o prazo seja de pelo menos 60 meses para que o empreendedor tenha fôlego para pagar. O pior é que parece que os políticos não vêem essa situação. Parece que não enxergam. Ou então tem medo de ir contra os bancos que geralmente financiam suas campanhas''.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr.





