Curitiba - A estiagem que atinge as lavouras paranaenses já provocou uma quebra de 29% na cultura de milho safrinha. Mas a perda deve ultrapassar os 30% porque muitas áreas estão em fase crítica, quando a falta de chuva é mais prejudicial ao desenvolvimento do grão. O levantamento, divulgado ontem pelo engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Deral, mostra que a estiagem reduziu em cerca de 900 mil toneladas a produção do grão. No início da safra, o Deral estimava que o Estado produzisse 3,9 milhões de toneladas de milho safrinha. Hoje, a previsão é de cerca de 3 milhões de t.
Hubner salienta que a quebra será maior porque o levantamento divulgado ontem foi feito na semana passada. ‘‘Como daquela data até agora ainda não choveu, as perdas devem ser maiores’’, diz o técnico. Ele lembra que os prejuízos são mais significativos onde está a maior parte da produção: na região norte, responsável por 33% da área plantada, e no oeste, que corresponde a 31%. Em algumas áreas, prossegue, não chove há 50 dias e em alguns não chove há quase três meses.
A quebra, de acordo com a agrônoma Rossana Catie Bueno de Godoy, também do Deral, terá reflexos negativos no abastecimento do mercado interno, porque o Paraná é o maior produtor nacional de milho safrinha. No começo da safra, diz ela, havia expectativa de que outros estados, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, pudessem comprar parte da produção paranaense para suprir seus mercados internos. Naqueles dois estados a seca causou perdas durante a safra de verão e o clima impede o cultivo da safrinha.
A agrônoma do Deral diz que o reflexo maior poderá ser no setor avícola, uma vez que a alta no preço do grão poderá fazer com que produtores reduzam o alojamento de aves. O milho é o principal insumo da ração de frangos. Segundo ela, no mercado atacadista, a saca de milho de 60 quilos está cotada por volta dos R$ 12,00. Rossana afirma que o preço do grão está alto e que existe um limite para esta elevação, uma vez que as indústrias podem optar por alternativas para substituir o milho, optando por outros grãos como triguilho e sorgo.
Para o analista de mercado Benedito de Oliveira, o preço do milho já está em seu limite. Segundo ele, a saca de 60 quilos era cotada ontem a R$ 14,00 nas cooperativas paranaenses, que detêm maior parte da produção. ‘‘O consumo está estagnado, o preço do frango também, além disso as exportações caíram, então não há como esse preço subir mais’’, avalia.

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