Quebra na safra deve elevar importações
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sexta-feira, 01 de maio de 1998
Agência Folha 
O aumento de importações agrícolas, esperado em função da quebra da safra, deve forçar neste ano uma elevação dos preços de produtos como, por exemplo, frango, arroz, pão e massas.
O crescimento mais significativo nas importações será nas compras de milho. As compras internacionais vão saltar de 350 mil toneladas, volume registrado durante a safra passada, para 1,2 milhão de toneladas, segundo o gerente de Estudos e Pesquisa Agropecuária da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Sérgio Camelo.
No período 96/97, o Brasil chegou a colher 35,71 milhões de toneladas de milho, mas a expectativa é chegar a uma produção de 31,52 milhões de toneladas até o final deste semestre.
Essa queda vai obrigar o governo a usar boa parte do estoque que está reservado para regular o mercado. São 6,17 milhões de toneladas que estão guardados nos armazéns da Conab, e metade deve ser usada para garantir o abastecimento.
Além da previsão de queda dos estoques abaixo do nível ideal, as importações de milho trarão um problema: o preço internacional está quase 22% acima da cotação brasileira. A saca do milho está sendo comercializada em São Paulo por R$ 7,80, e a cotação internacional está em cerca de R$ 9,50.
Por causa da desvalorização do milho no mercado interno, na safra passada muitos agricultores decidiram trocar o produto pela soja, que chegou a ser vendida por R$ 18 a saca. A redução no plantio, com a seca no Nordeste, contribuiu para a quebra da safra do produto.
O milho representa cerca de 30% do custo de produção do frango, produto que foi usado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso como símbolo do sucesso do Plano Real.
No caso do arroz, de acordo com Camelo, a situação é um pouco mais complicada. Como o governo mudou a política de administração e tem comprado menos, os estoques vêm caindo a cada ano. Na safra 95/96, o volume em poder da Conab era de 2,8 milhões de toneladas. Em 96/97, caiu para 2,3 milhões, e nesta safra, está em 1,3 milhão de tonelada.
Esse estoque corresponde a pouco mais de um mês de consumo, sendo que o ideal é ter no mínimo dois meses para administrar as variações de preços do mercado.
O Brasil e os países asiáticos são os maiores compradores de arroz por causa dos hábitos alimentares. A Argentina e o Uruguai produzem especificamente para abastecer esses mercados, mas o fenômeno do El Ni¤o (aquecimento das águas do Pacífico que altera a temperatura) também afetou a produção desses dois países.
Com a quebra da produção, os preços devem subir, e o Brasil terá que importar arroz dos Estados Unidos, que tradicionalmente é mais caro. Já no caso do trigo, a produção vem caindo há três anos por causa dos problemas climáticos do Rio Grande do Sul, com excesso de chuvas na colheita. O aumento das importações neste ano será de quase 400 mil toneladas e deverá alterar o preço de seus subprodutos, como pão e massas.


