Quebra na safra, alta no preço
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Daniela Amorim Agência Estado 

Rio de Janeiro - A safra agrícola brasileira de 2019 deve totalizar 230,7 milhões de toneladas, uma alta de 1,9% em relação ao resultado de 2018, o equivalente a 4,2 milhões de toneladas a mais, segundo os dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de janeiro, divulgado nesta terça-feira (12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em relação ao terceiro Prognóstico para a Safra Agrícola, porém, houve redução de 1,2% na estimativa para este ano, o equivalente a 2,7 milhões de toneladas a menos.
Os produtores brasileiros devem colher 62,1 milhões de hectares na safra agrícola de 2019, uma elevação de 2,0% em relação à área colhida em 2018. O resultado, porém, é 0,1% menor que o previsto no terceiro Prognóstico para a Safra Agrícola, divulgado no mês passado.
A área a ser colhida de soja em 2019 será 2,0% maior que a de 2018, enquanto a de milho deve crescer 3,6%. Por outro lado, a área de arroz encolherá em 6,6%.
FEIJÃO
Já em relação a outro produto comum à mesa do brasileiro, o País deve colher 2,929 milhões de toneladas de feijão em 2019, uma queda de 1,5% em relação ao resultado do ano passado, segundo os dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola.
A inflação oficial no País, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), já mostra um aumento no preço do feijão por causa da estimativa menor de safra do grão em 2019, ressaltou Carlos Alfredo Guedes, gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE. De acordo com o IPCA, o preço do feijão carioca, a variedade mais consumida, aumentou 19,76% em janeiro
Em relação ao terceiro Prognóstico para a Safra Agrícola de 2019, divulgado no mês passado, houve melhora. A estimativa para a produção de feijão é 1,6% maior.
A produção esperada para este ano ainda atende ao consumo doméstico tanto de feijão quanto de arroz. O consumo aparente de arroz é de aproximadamente 11 milhões de toneladas, e o IBGE prevê uma safra de 11,1 milhões de toneladas do grão, apesar de a estimativa ser 5,0% menor que a safra do ano anterior.
Quanto ao feijão, o consumo doméstico gira em torno de 3 milhões de toneladas por ano, enquanto a estimativa de produção nacional está em torno de 2,9 milhões, lembrou Guedes. Segundo o pesquisador, em caso de problemas na safra, o arroz é mais fácil de importar que o feijão.
"[A safra menor de] arroz até pode mexer com o preço, mas é um pouco diferente da do feijão, porque a gente pode ser abastecido no Mercosul. Então mesmo tendo que importar, está próximo. No caso do feijão, também dá para abastecer o mercado, mas já está muito apertada a nossa produção em relação ao que a gente consome. São poucos os países que produzem feijão. E o feijão não pode ser estocado por longos períodos, senão perde a qualidade. A produção de feijão é muito sensível em relação a condições climáticas", alertou Guedes.
Outros dois produtos que costumam apresentar oscilações expressivas nos preços em função da produção são a batata e o tomate, disse o pesquisador. A safra de batata em 2019 deve ser 7,0% menor que a de 2018, o que deve se refletir no custo ao consumidor. No entanto, o IBGE espera um aumento de 6,1% na produção de tomate, totalizando 4,3 milhões de toneladas.


