Quebra do trigo eleva preços da soja
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sexta-feira, 03 de novembro de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
A quebra mundial da safra de trigo contribuiu para uma elevação dos preços da soja. Somente no mês passado a cotação do grão aumentou 16,5% na Bolsa de Chicago, passando de US$ 5,45 para US$ 6,35 o bushel (27,22 quilos), atingindo o maior preço registrado neste ano. No Brasil, a saca de 60 quilos que, até então era comercializada por R$ 25, atingiu os R$ 30, puxada também pela entressafra. Em média, o mundo deixou de colher cerca de 25 milhões de toneladas de trigo devido à queda de produção da Austrália, Argentina e do Brasil.
No País, cerca de 93% da safra 2005/06 de soja já foi comercializada. Os Estados Unidos caminham para uma produção recorde da cultura e a quebra da safra de trigo provocou movimentos de fundos que atuam na Bolsa de Chicago. ''Alguns fundos que atuam no mercado futuro têm contratos para compra de milho, soja e trigo e a quebra do grão (trigo) fez aumentar a procura pela soja'', diz Fábio Renato Turquino Barros, analista de mercados agrícolas do Instituto FNP, empresa privada de análises do agronegócio.
Além disso, outros fatores têm contribuído para pressionar para cima os preços da oleaginosa. As chuvas que atingiram os Estados Unidos atrasaram a colheita e a provável perda de área plantada para o milho. Em certas regiões americanas as duas culturas disputam barreira e praticamente tem áreas de cultivo equivalentes. No entanto, a demanda americana pelo milho têm aumentado devido à produção de etanol. ''A produção de milho foi de 279 milhões de toneladas, enquanto o consumo ficou em 302 milhões de toneladas. Esse aumento trouxe uma redução dos estoques mundiais'', explica Barros.
O economista Ismael Mologni acrescenta que está havendo uma maior procura pela soja para produção de silagem para o gado confinado dos Estados Unidos e da Europa. ''Sem trigo a opção recai sobre a soja para elaboração da mistura'', afirma. A ração animal, geralmente, é preparada a partir da mistura do milho triturado, da soja e do trigo. Ele acrescenta, no entanto, que a soja e o trigo são bens complementares (não têm o mesmo teor de proteínas) e, por isso, não podem ser substituídos integralmente um pelo outro na ração.
Preços - O analista de mercados do FNP alerta, entretanto, que esses patamares de preços não devem se sustentar até abril e maio do próximo ano, quando os brasileiros estiverem colhendo a safra nacional. ''Esses movimentos de preços são pontuais, mas têm afetado o mercado interno nacional e o mercado futuro'', comenta. A projeção de redução de área de plantio, estimada em 6% pelo FNP, não deve contribuir para uma elevação dos preços no próximo ano devido à superprodução americana.
Já o economista Ismael Mologni acrescenta que há perspectiva de ajustes no câmbio a partir do próximo ano. Se essa política for implementada e o dólar for valorizado os sojicultores serão atingidos diretamente e beneficiados. ''Essa é uma mudança (na política cambial) de consenso porque o real valorizado está prejudicando as exportações e fazendo aumentar as importações. Isso está quebrando o parque industrial nacional e reduzindo as vagas de emprego'', observa.


