A safra 2002/03 de feijão das águas no Paraná já sofreu quebra de 10,75% por causa da geada que atingiu o Estado. O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) previa produção de 503,7 mil toneladas de feijão preto e carioca, volume que foi revisto para 449,5 mil toneladas. A situação deve se agravar em função da estiagem que assola algumas regiões produtoras. ''O prejuízo pode ser maior, mas ainda é cedo para quantificar as perdas'', afirmou o engenheiro agrônomo Gilberto Martins Bello, do Deral.
O Norte do Estado é a região mais atingida pela seca. Em Wenceslau Braz (117 km ao sul de Jacarezinho), onde não chove há quase um mês, os agricultores já estimam quebra de 50%. Neste ano, a produção deveria render 250 mil sacas de feijão carioca. ''A cada dia sem chuva o prejuízo é maior'', lamenta o engenheiro agrônomo Taurino Alexandrino Loiola, presidente da Associação de produtores de Cereais do município. A cultura é a principal atividade agrícola da região, que também planta milho e soja.
A estiagem atingiu as lavouras de feijão na fase de florescimento e formação da vagem. ''Com o calor, as flores são abortadas e as vagens não enchem'', explicou Taurino. A falta de chuva também impede a absorção da água e do adubo, prejudicando o desenvolvimento.
O agricultor Aparecido Gomes de Siqueira, de Wenceslau Braz, plantou 145 hectares de feijão e esperava colher 5 mil sacas ao final da safra. Por causa da seca, ele acredita que sua produção não passará de 2,5 mil sacas. ''Se não chover até segunda-feira, essa previsão abaixa para 2 mil sacas'', analisou.
Ele aposta no bom preço do milho para amenizar o prejuízo. ''A seca aumentou o ataque de pragas, mas não prejudicou a lavoura'', afirmou Siqueira, que também vai plantar soja. Segundo ele, para cobrir os prejuízos dessa safra a saca de feijão precisaria ser vendida a R$ 100. Ontem, no Paraná, a saca de feijão carioca foi cotada a R$ 82,00, enquanto a do preto estava em R$ 80,00.
No Oeste do Estado, o produtor Neudi Mosconi vive uma expectativa diferente. Ele plantou 290,4 hectares e espera colher de 10 mil a 12 mil sacas de feijão. ''Aqui na região o clima está favorável. As plantas estão com dez dias de germinação e o desenvolvimento é excelente'', disse ele, que também manifestou satisfação com o preço da mercadoria. ''A cotação nunca esteve tão boa.''
Em todo o Paraná, de acordo com o Deral, 71% das áreas de feijão foram plantadas. Dez por cento das lavouras apresentam situação ruim, 37% estão em condições médias e 53% estão desenvolvendo bem. A área plantada reduziu 16% após as geadas, de 409,5 mil hectares (ha) para 380 mil ha.

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