As geadas de ontem foram arrasadoras em todo o Paraná e as culturas que ficaram imunes na semana passada desta vez não escaparam. O Ministério da Agricultura informou ontem, no final da tarde, que a quebra do café na próxima safra pode ser de 80% a 90%. A Secretaria de Produção e Comercialização (SPC), acrescentou que a atual safra do Estado, avaliada em 2,2 milhões de sacas, deverá ter quebra de produção entre 15% e 20%, além de prejudicar a qualidade do café.
Ontem foi realizada uma reunião da Comissão de Grãos e Seguro da Faep para discutir a posição da Federação diante das perdas causadas pelas geadas. Na próxima quinta-feira, o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Antonio Poloni deverá ter uma reunião com o ministro Marcus Vinicius Pratini de Moraes, em Brasília, para relatar a situação do Paraná. Poloni estará acompanhado dos presidentes da Faep, Ágide Meneguette, e da Ocepar, João Paulo Koslovski, que irão propor medidas de apoio aos agricultores prejudicados.
Para Carlos Augusto Albuquerque, assessor da Faep, é preciso informar ao ministro as condições das lavouras de inverno e de milho safrinha, e alertar para do fato que elas foram plantadas com atraso aqui no Paraná, por causa da estiagem. Daí a maior parte das lavouras ter sido atingida na sua fase mais suscetível. ‘‘Até em Ribeirão do Pinhal e em Astorga, quase na barranca do Rio Paranapanema, onde o povo não sabe o que é frio, geou, matando os pés de café da região’’, disse Albuquerque.
Poloni deverá levar um levantamento parcial dos prejuízos no Paraná até quinta-feira. Mas um levantamento completo está sendo prometido para o dia 26, quando os técnicos deverão avaliar todas as informações que chegam do campo. A Secretaria da Agricultura colocou toda sua estrutura e também do Iapar e Emater para fazer o levantamento das perdas.
O agricultor Wilson Baggio, da Comissão de Cafeicultura da Faep, acredita que o prejuízo foi grande porque havia muitos grãos verdes nos cafezais que não chegaram a maturar. ‘‘Além disso, o que sobrou deverá piorar o rendimento e a qualidade da bebida’’, disse o cafeicultor.
Além do café, Baggio acredita que o milho safrinha das regiões Norte, Centro-Oeste e Oeste do Paraná foram afetados pela geada de ontem. O trigo plantado nessas regiões, que já estava em fase de formação de cachos, também foi atingido. Foram preservadas apenas as plantas novas, plantadas mais tarde. Dessa vez foram atingidas ainda as lavouras de cana-de-açúcar e fruticultura, além das hortaliças e pastagens.
Uma das preocupações agora é procurar saídas possíveis para ajudar o produtor que teve perdas na lavoura. Segundo a Faep, um terço das lavouras de milho safrinha foram financiadas com seguro, e dois terços foram financiadas por recursos próprios, financiamento de cooperativas e de fornecedores de insumos, que não estão cobertos pelo seguro.
Conforme levantamento da Superintendência do Banco do Brasil no Paraná, foram financiados 353.000 hectares de milho safrinha no Estado, sendo que 90% dos financiamentos estão cobertos pelo seguro rural da Cesesp. A área financiada com trigo atinge 300.000 hectares e 100% desse total foi segurado pela Cosesp e Proagro.

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