A quebra de sigilo bancário de contribuintes que movimentaram quantias incompatíveis com a renda declarada já rendeu à Receita Federal R$ 587 milhões em créditos fiscais. O balanço das ações de fiscalização foi divulgado ontem pela Receita e Ministério Público e mostra que, de um total de sete mil contribuintes pessoas físicas e jurídicas que fazem parte da investigação inicial, 1.160 ações fiscais já foram concluídas.
O coordenador de Fiscalização da Receita, Paulo Ricardo de Souza, afirmou que, entre as 1.160 ações concluídas, existem cerca de 350 representações criminais que foram encaminhadas ao Ministério Público. Entre as pessoas representadas estão ''laranjas'', contribuintes e funcionários de bancos, que participaram do processo para esconder a movimentação financeira do fisco.
Souza disse que os 350 processos tinham provas fáceis de irregularidades. Entre as 1.160 ações, 703 são contra pessoas físicas e 458 pessoas jurídicas. Deste total, nem todos os contribuintes, segundo Souza, tiveram a intenção ou culpa pelo ato de omissão ou sonegação. Há casos, de acordo com ele, em que pessoas idosas nomearam procuradores que, por negligência, omitiram rendimentos e informações.
No universo de ações concluídas, a Receita constatou maior volume de irregularidades entre os profissionais liberais, empresas prestadoras de serviços e empresas que exercem atividade rural.
''Os casos mais complexos ainda estão por vir e os valores de autuação serão maiores'', estima Souza, referindo-se ao universo de sete mil contribuintes que está sendo investigado.
Os sete mil escolhidos para o início dos trabalhos foram aqueles contribuintes que, em 1998, movimentaram quantias incompatíveis com a renda declarada no Imposto de Renda. Ao todo, os sete mil movimentaram R$ 172 bilhões naquele ano a movimentação foi verificado através do recolhimento da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Fiscal).
Souza disse que agora serão cruzadas as informações do recolhimento da CPMF com a declaração do Imposto de Renda de 1999 e 2000 e novas irregularidades poderão aparecer, aumentando a arrecadação federal.

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