Quebra de safra mantém feijão caro
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terça-feira, 17 de dezembro de 2002
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
O consumo de feijão deve cair de 20% a 30% nas duas últimas semanas do ano. Além do produto estar caro, as festas do período estimulam a substituição do grão por outros tipos de alimentos. ''Por causa da queda na demanda, é possível que ocorram alguns negócios com preço mais baixo'', estima Marcelo Eduardo Luders, diretor da Correpar Corretora de Mercadorias, de Curitiba.
Nesta época os cerealistas costumam entrar em férias coletivas, por isso não haverá negócios de volumes expressivos. ''As vendas serão retomadas na segunda quinzena de janeiro'', informou o corretor. As condições climáticas desfavoráveis, com muita chuva, já causaram prejuízos às lavouras e devem provocar retorno dos preços aos patamares atuais.
Ontem, a saca do feijão nota 10 foi comercializada a R$ 120,00 no Paraná. O tipo 9 foi vendido a R$ 109,00 e o tipo 8, a R$ 105,00. A cotação se mantém estável desde o início do mês. Luders informou que o mercado estima uma quebra de 30% na safra dos Estados do Sul. Esse quadro pode ser agravado se as previsões de muita chuva para janeiro e fevereiro se confirmarem. ''O mercado continuará firme'', avaliou.
Diante dessa tendência, o analista sugere que o produtor invista na segunda safra de feijão, que começa a ser plantada de janeiro. ''2003 será outro ano influenciado pelo El NiÀo. A tendência é de preços elevados'', comentou.
Muitos produtores, aliás, esperam a próxima safra para obter lucros com a cultura, já que em algumas regiões a geada e a chuva prejudicaram a lavoura em todas as fases. Além de colherem menos, ainda vão ter que arcar com o custo de secagem do feijão colhido úmido, o que encarece os custos em 8% e resulta em produto de qualidade inferior e, por isso, mais barato.
Marcos Marcon, produtor em Umuarama, já terminou a colheita e contabiliza quebra de 90% em 40 hectares plantados. ''Meu prejuízo foi de R$ 25 mil'', lamentou. Ele precisou beneficiar o produto para retirar a umidade, agregando um custo de R$ 2,00 por saca. Além disso, o feijão colhido estava brotado, derrubando a classificação para tipo 3. ''Agora vou ter que trabalhar para ver se tiro o prejuízo na próxima safra'', espera.
Ele não tinha incluido a segunda safra de feijão na rotação de culturas de sua propriedade, mas está estudando a possibilidade de plantar o grão no começo de março.''Vai valer a pena se o preço do mercado for repassado pra o produtor.''
No Paraná, a colheita do feijão supera 20% da área total, informou o engenheiro agrônomo Gilberto Martins Bello, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab). O órgão ainda não levantou qual será o prejuízo total, estimado em 8% no último levantamento. ''Com certeza, por causa da chuva, esse número aumentou'', afirmou.


