Quebra de safra fez PIB do Paraná recuar 0,6% em 2018
Retração da economia do Estado contrasta com crescimento do País, que segundo o IBGE foi de 1,1%
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terça-feira, 16 de abril de 2019
Retração da economia do Estado contrasta com crescimento do País, que segundo o IBGE foi de 1,1%
Nelson Bortolin - Grupo Folha 

Na contramão do Brasil, que segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) cresceu 1,1% em 2018, a economia paranaense teve um recuo de 0,6%, puxado pelo agronegócio, cujo valor agregado encolheu 3,8% e os serviços (-0,35%). A indústria ficou estável (0,05%). Os dados estaduais são do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social). O IBGE só divulga informações regionais do PIB (Produto Interno Bruto) com dois anos de atraso, de modo que não há como comparar o desempenho do Paraná com os demais estados.
No Brasil, a agropecuária cresceu 0,1%, a indústria (0,6%) e os serviços (1,3%). Em valores absolutos, o PIB brasileiro do ano passado atingiu R$ 6,8 trilhões e o paranaense, R$ 438 bilhões (6,4%). No Paraná, a agropecuária respondeu por 8,55% do montante, a indústria por 22,7% e os serviços, acrescidos do comércio, foram responsáveis por 55,55%.
Segundo o Ipardes, os responsáveis pela queda na agropecuária foram os cultivos de milho, soja e feijão. A redução nos serviços decorreu, principalmente, de retrações em serviços de alojamento e alimentação. Já na indústria, houve melhora no refino de petróleo e na produção de material de transporte e de celulose e papel. A fabricação de produtos alimentícios foi o destaque negativo.
O economista Jefrey Kleine Albers, da Faep (Federação da Agricultura do Paraná), diz que as quebras das safras de milho e feijão foram as que tiveram maior impacto na queda do PIB. “No feijão, foram cerca de 15% e no milho, 34%. No caso do milho houve queda da produção e de área plantada”, conta. Para ele, a redução da participação do agronegócio no PIB paranaense é “pontual”. “O agronegócio vai continuar sustentando a economia”, declara.
Segundo o Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria do Estado da Agricultura e do Abastecimento), a terceira safra do feijão foi a que teve maior prejuízo. Foram produzidas 2.267 toneladas do grão na safra 17/18, o que representa 53% menos que na 16/17. O milho, com 2,9 milhões de toneladas na primeira safra, teve queda de 41%. Na segunda safra do mesmo grão, foram 9,1 milhões de toneladas – recuo de 30% de uma safra para a outra.
A soja, principal produto paranaense, teve uma quebra pouco expressiva, de 4%. Foram produzidas 19,1 milhões de toneladas da oleaginosa no Estado na safra 17/18.
“A estiagem foi a principal causa dessa queda do PIB ao afetar os principais produtos”, justifica Francisco José Gouveia de Castro, coordenador da área de Macroeconomia e Desenvolvimento Regional do Ipardes. “O agronegócio tem uma repercussão muito grande na economia”, complementa.
Questionado sobre as perspectivas para a economia paranaense em 2019, ele disse que se trata de um ano pouco previsível. “São muitos fatores que influenciam além do clima, inclusive questões internacionais, como a crise da Argentina (importadora de carros produzidos no Paraná), as relações dos Estados Unidos e outros”, afirmou.



