Quebra da safra reduz venda de maquinários
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sexta-feira, 08 de abril de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
A quebra na safra de soja e do milho safrinha devem reduzir as vendas, em muito, dos revendedores de implementos agrícolas que montaram estande na 45 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, no Parque de Exposição Governador Ney Braga. Este ano, o desânimo no setor é geral e a maioria deles não espera boas vendas, embora acredite que a feira funcione como vitrine para divulgar a marca e a empresa para futuros negócios. Muitos também disseram estar na feira este ano por ser uma tradição e não pelas vendas.
Toda linha de implementos e máquinasagrícolas, do preparo do solo à colheita do grão, está exposta nos vários estandes espalhados pelo parque. O vendedor Humberto Cunha, da revendedora londrinense Horizon, concessionária John Deere, lamentou que o setor está vivendo um momento complicado devido à quebra da safra. Ele atua na região de Sertanópolis (40 quilômetros de Londrina) e conta que os produtores estão com medo de investir em maquinários. ''Acho que dentro de 20 dias, os produtores vão definir se replantam o milho safrinha, que já perderam, ou se partem para o trigo. A partir daí pode ser que o cenário mude um pouco'', comentou ele.
Cunha informa que 40% dos clientes da revendedora sofreram quebra de cerca de 30% na safra de soja. Outros 40% empataram os investimentos e 20% têm uma reserva do ano passado para investir na qualidade do plantio. Na região de Sertanópolis, informa que muitos produtores jogaram a semente do milho na terra e perderam tudo por falta de chuva. O produtor rural José Roberto Rossato, que estava no estande olhando os maquinários, analisava os preços. Por hora não vou comprar nada. Nem namorando os maquinários estou'', comentou ele, reclamando do alto preço dos implementos agrícolas nos últimos cinco anos.
''Em 2000, comprei uma colheitadeira por R$ 161 mil, hoje o mesmo maquinário está custando R$ 450 mil. Se tivesse dobrado o preço até aceitava, mas duplicou'', contou ele, que também comprou um trator na época por R$ 51 mil e hoje custa R$ 135 mil. ''As firmas de implemento abusam demais do produtor''.
O executivo de vendas da Tork Agro Comercial de Londrina, concessionária Valtra, Varnislei Botelho, lembra que no ano passado as vendas foram muito boas. ''Este esperamos movimento no estande a partir de quarta-feira'', prevê.
''Se vendermos um trator está excelente'', afirmou o gerente da Dimasa, concessionária da Massey Fergusson, Francisco Carlos Vieira. Tradicionalmente, a empresa participa da feira há 20 anos e, nos últimos anos, vendeu muitos tratores no parque. ''No ano passado, por exemplo, comercializamos R$ 5,5 milhões, mas este ano devemos vender 10% desse valor''. Vieira informou ainda que muitos produtores que compraram maquinários no ano passado, para começar a pagar agora em abril, estão pedindo o prorrogação do prazo.
No ano passado, a Planti Center, empresa com sede em Sarandi e filial em Marialva, na região de Maringá, vendeu 76 plantadeiras, informou o gerente Antonio Mantena. ''Este ano, se verdemos duas já é lucro'', calcula. Além da soja, destaca ele, a quebra no milho safrinha reduz mais ainda a possibilidade de vendas.
O proprietário da Rubemaq, Neuri Rubetti, espera movimentação no estande nos finais de semana. Os melhores dias para ele, serão hoje e amanhã e no próximo final de semana, mesmo assim Rubetti acha que este ano a feira é mais para divulgar os produtos do que vender. O representante da Ipacol, com sede em Veranópolis (RS), João Paulino, acredita que poderá vender mais implementos pecuários ao invés dos agrícolas. ''O preço da soja está em baixa e a pecuária está melhor neste período''.


