Curitiba - O Paraná vai produzir apenas 1,83 milhão de toneladas na safra de inverno 2001-02, o que representa quebra de 40%. O novo levantamento, feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab), aponta para um prejuízo de R$ 666 milhões. A expectativa inicial era de uma produção de 3,04 milhões de toneladas, e foi revista no final de setembro para 2 milhões de toneladas.
Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Otmar Hubner, uma longa estiagem, que durou de 25 de maio a 15 de julho, e as geadas fora de época, nos dias 2 e 3 de setembro, causaram a redução na expectativa. O trigo foi a cultura de inverno mais afetada pelas variações climáticas, representando perdas de R$ 602 milhões para os produtores, informou Hubner. A quebra da safra do cereal também foi de 40%. Com isso, o Estado deixa de produzir 971,4 mil toneladas do grão e vai colher apenas 1,48 milhão de toneladas.
De acordo com o Deral, a quebra de trigo por região foi: Norte, 46%; Noroeste, 53%; Oeste, 27%; Centro-Oeste, 37%; Sudoeste, 29%, e Sul 46%. ``A geada pegou o trigo em uma época em que estava muito suscetível, porque havia chovido um pouco antes, e por isso estava sensível``, observou Hubner. No mês passado, o Deral estimava em R$ 362,4 milhões os prejuízos pela quebra de safra de inverno. ``Percebemos que foi bastante severa a geada do mês passado, mas estamos reavaliando todo mês e, por isso, chegamos a esse valor. A chuva na colheita também pode ter influenciado, mas isso é mais difícil de assegurar``, acrescentou.
Como as condições climáticas foram muito desfavoráveis, o Deral acredita que a maior parte do trigo colhido no Paraná será de baixa qualidade, e, por isso, será usado como ração animal. A quebra na safra deve pressionar ainda mais a balança comercial, já que o Brasil produz normalmente 3 milhões de toneladas mas consome três vezes mais.
As outras culturas de inverno também tiveram reduções significativas. A aveia branca teve quebra de 28%; aveia preta, 33,2%; canola, 31,2%; centeio, 21,8%; cevada, 53,6, e triticale 46%. A estimativa inicial do Deral era de uma colheita de 3,04 milhões de toneladas para uma área de plantio de 1,373 milhão de hectares. Foram perdidos totalmente 133,18 mil hectares. Aproximadamente 80% da safra de inverno já foi colhida e 43% do volume comercializado.

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