Porto Alegre – A província de Québec, no Canadá, levou ao II Fórum Social Mundial (FSM), em Porto Alegre (RS), uma mensagem em defesa da globalização com mecanismos de proteção social. O livre comércio produz riqueza, mas ela precisa ser distribuída, resumiu a ministra de Relações Internacionais da província, Louise Beaudoin, em entrevista à Agência Estado. Ela observou que a integração comercial com os Estados Unidos e o México – que junto ao Canadá formam o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, o Nafta – foi muito lucrativa para Québec, em termos gerais. Há impactos, contudo, que devem ser evitados, sugeriu a ministra.
Em Québec, são utilizados mecanismos para distribuir a riqueza produzida pelo intercâmbio econômico, disse a ministra. Ela citou, como exemplos, programas de assistência à infância, acesso ao emprego e formação dos trabalhadores. A província canadense apóia a proposta do presidente do México, Vicente Fox, de criar um fundo social durante a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Na União Européia, lembrou, fundos semelhantes foram utilizados para atenuar as diferenças entre seus integrantes e apoiar os países mais pobres. A idéia central destes fundos é a transferência de recursos dos orçamentos dos países ricos aos mais pobres.
Para a ministra, é isso que deve ser feito na Alca, onde as diferenças são acentuadas e necessitam da intervenção de medidas estruturais. ‘‘Precisamos convencer os Estados Unidos’’, observou. ‘‘É uma medida que não é aceitável neste momento, mas que deverá ser aceita pelos Estados Unidos’’, comentou. A representante de Québec disse acreditar na possibilidade de produzir uma integração mais igualitária. Ela sugeriu que estas medidas sejam previstas no tratado de formação da Alca, que ‘‘em princípio’’, salientou, deverá ser assinado em 2005.
A ressalva foi feita devido ao ceticismo com que alguns países encaram a integração continental. Em Québec, destacou, a integração comercial foi amplamente favorável, mas para as pessoas que sofreram prejuízos foram criados mecanismos sociais. A ministra irá assinar hoje um acordo com o governo gaúcho para a formação complementar de jovens brasileiros e quebequenses em situação de vulnerabilidade pessoal e social.

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