Que tal um churrasco com carne de sol?
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sexta-feira, 05 de setembro de 2008
Gisele Mendonça<br>Reportagem Local 
Os nordestinos e seus descendentes somam cerca de 500 mil habitantes no norte do Paraná, segundo estimativa da Associação Londrinense da Comunidade Nordestina. Um público que tem carência de opções de compra quando o assunto é matar a saudade dos sabores da terra natal. Aproveitando a 13 Festa Nordestina, que se encerra amanhã nos arcos do Museu de Arte de Londrina, a FOLHA convidou um representante daquela região para comprar produtos típicos. Radicado em Londrina há 27 anos, o fisioterapeuta e professor universitário Ruy Moreira da Costa Filho, natural de Olinda (PE), animou-se com a idéia de poder preparar em sua própria casa um autêntico churrasco nordestino. Gastou R$ 107,50 e saiu feliz da vida.
Além do convívio com as pessoas, das praias e do Carnaval de Olinda, Ruy sente falta dos sabores do Nordeste, seja dos frutos do mar acessíveis em preço e diversidade ou dos produtos que só lá sabem preparar. Um exemplo é a carne-de-sol. ''Que não tem nada a ver com a carne-seca que a gente conhece por aqui'', vai dizendo o pernambucano, que foi à feira acompanhado da esposa, a fisioterapeuta paulista Viviane de Souza Pinho Costa.
Para o churrasco, o casal gastou R$ 69,50 em dois quilos de carne-de-sol (R$ 40), um vidro de manteiga-de-garrafa (R$ 6), um quilo de queijo coalho (R$ 20) e meio quilo de feijão-de-corda (R$ 3,50). A visita à feira rendeu ainda a compra de um quilo de queijo manteiga (R$ 20), 200 gramas de castanha-de-caju (R$ 6) e um quilo de goma para tapioca (R$ 12). Mais R$ 38. Tudo trazido do Nordeste por intermédio da comerciante Ana Aparecida Almeida, que tem uma loja de produtos nordestinos em Londrina e há vários anos monta sua barraca na Feira Nordestina.
O evento é uma boa oportunidade para quem quer adquirir, por exemplo, a carne-de-sol, que só chega à região por encomenda. O quilo está sendo vendido na feira a R$ 20 e a quantidade é limitada. Ana explica que este tipo de carne leva ''um pouco'' de sal e é curtida mesmo no sereno, ficando macia e suculenta. ''Já a carne-seca é curtida no sal. Fica mais seca, é boa para fazer a paçoca (farinha de mandioca prensada com carne-seca no pilão)'', indica a comerciante, descendente de nordestinos que trabalha há oito anos no ramo.
O jeito de preparar o churrasco Ruy não esquece. Ele diz que é bom deixar a carne-de-sol no leite de um dia para o outro para reduzir o sal e amaciar. ''Depois você corta em fatias grossas e põe na grelha (não precisa temperar). Na hora de servir, acrescenta por cima a manteiga-de-garrafa'', ensina o pernambucano. Para acompanhar, queijo coalho também grelhado, macaxeira (mandioca) cozida, feijão-de-corda e salada de tomate com folhas.
Para beber, nada típico no churrasco do professor. ''Pode ser cerveja mesmo. Até tomo de vez em quando uma cachaça do Nordeste, mas não sou muito fã não'', diz ele, obervando as dezenas de rótulos - com os nomes mais curiosos possíveis.
A compra deixou satisfeito o pernambucano, que visita a família em Olinda apenas uma vez por ano. Em Londrina, às vezes compra alguma coisa em loja especializada, mas diz que não encontra produtos típicos em supermercados. E quando encontra, não é a mesma coisa. ''O queijo coalho, por exemplo, não tem nada a ver com o nordestino'', afirma Ruy. Contagiada pela cultura nordestina, Viviane, a esposa, já arrisca algumas receitas, já que o marido mesmo não cozinha (só faz churrasco). ''Agora vou tentar acertar na tapioca'', diz.
Serviço: 13 Feira Nordestina, até amanhã, nos arcos do Museu de Arte de Londrina (Rua Sergipe, 640). Funcionamento das barracas: hoje e amanhã, a partir das 12h30. Entrada gratuita


