Que tal passear pela feira do Cincão?
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segunda-feira, 08 de maio de 2006
Eli Araujo<br>Reportagem local 
A feira livre nos Cinco Conjuntos não é uma feira qualquer. Logo de entrada, o visitante de primeira viagem percebe as diferenças. A primeira delas é que as pessoas parecem mais descontraídas. Em uma barraca, o vendedor de mandioca alardeia que mulher bonita não paga, mas também não leva, e mulher feia paga dobrado. O trocadilho é surrado, mas oportuno para o momento.
Outra diferença é o tamanho. A feira ocupa mais de mil metros de extensão em uma das pistas da Avenida Saul Elkind, região Norte da cidade. As bancas são montadas dos dois lados, ficando um espaço bem estreito para a circulação das pessoas. Ela é dividida em duas partes: a primeira é igual à outra feira qualquer, com bancas de frutas, legumes, verduras e pastéis fritos na hora; e a segunda parte é como um shopping popular a céu aberto, onde se vende CDs, DVDs, roupas, bolsas, óculos, calçados e brinquedos. As pequenas bancas parecem competir entre elas com os mais variados tipos de sons: funk, sertanejo, brega internacional e até músicas religiosas. Tem de tudo. Até a cantora Diana canta ô meu amado, porque brigamos, um grande sucesso de antigamente nas casas do gênero boate azul.
No começo da manhã, é possível andar normalmente pelo único corredor da feira. Mas à medida que os minutos passam, o movimento aumenta. Às dez da manhã, é quase impossível transitar. E algumas pessoas atropelam as outras, literalmente.
As pessoas vão ao local pelos mais variados motivos. Fazer a feira é, talvez, o menos importante. Alguns mais jovens vão para observar outras pessoas; há quem vai passear com a família e saborear alguns salgados e outros vão mesmo para driblar a solidão.
O casal Wilson Gonçalves da Silva, de 29 anos, e Liliane Xavier da Silva, de 27, sempre leva a filha pequena para o passeio. Wilson mora na região há 25 anos. Ele diz que no domingo a feira é o nosso programa preferido, e o que mais atrai a gente é a barraca de salgados.
O pedreiro José Ferreira de Almeida, de 68 anos, é outro frequentador assíduo. Ele diz que vai à feira para passear e passar o tempo com os amigos, mas também aproveita para comprar alguma coisa. E a auxiliar de produção Tatiane Bitencourt, de 25 anos, diz que vai à feira todos os domingos passear, fazer compras e ver as pessoas; a feira tem tudo de bom, afirma.
Um dos feirantes mais antigos é o consertador de panelas Santin Corsi. Enquanto arruma bate nos amassados com um tipo de martelo, ele conversa com os clientes e cumprimenta quem passa pelo local. Segundo ele, esta feira é mais movimentada que as feiras do centro.
A feira nos Cinco Conjuntos serve também de laboratório. Uma equipe de 16 estudantes de Licenciatura em Educação Física aproveita o movimento para fazer a simulação de um desmaio para um trabalho de primeiros socorros. A cena parece verídica. Uma mulher que passa por perto diz que não gosto de ver essas coisas, e outra mais desconfiada, afirma que é zoação.
Quem encena o desmaio é a estudante Aline da Silva de Almeida, de 20 anos. Depois da simulação, ela disse: Parece que passei mal de verdade, mesmo. Quanto à reação, Aline diz que não houve indiferença, as pessoas se aproximaram e queriam chamar a ambulância.
A feira não é frequentada apenas pelos moradores dos conjuntos próximos, mas atrai também pessoas do centro de Londrina e de outras cidades, como Sertanópolis, Ibiporã, Jataizinho e Tamarana. Para quem ainda não conhece, fica a sugestão: vale a pena conferir.


