Brasília - O crescimento das exportações do agronegócio nos últimos anos está concentrado nos quatro principais produtos da balança comercial do setor. Segundo um estudo divulgado ontem pelo Ministério da Agricultura, entre 2000 e 2006 os setores que mais contribuíram para o crescimento das exportações do agronegócio foram os setores carnes (23,2% do aumento absoluto das exportações), sucroalcooleiro (22,7%), complexo soja (17,7%) e produtos florestais (12%). O estudo mostra que os quatro setores juntos foram responsáveis por 75% do incremento absoluto das exportações do agronegócio no período analisado. Os setores que também apresentaram contribuição significativa foram café (5,5%), couros (4,6%), fumo (3,2%), cereais (2,3%), fibras e produtos têxteis (1,9%), sucos de frutas (1,7%) e frutas (1,2%).
O estudo destaca o aumento significativo da participação dos países em desenvolvimento nas exportações brasileiras de produtos do agronegócio. O crescimento anual médio das exportações do agronegócio para este grupo de países foi de 23,1%, enquanto para grupo de países desenvolvidos essa taxa foi de 10,8%. ''Com efeito, a participação dos países em desenvolvimento aumentou de 33,9% em 2000 para 49,1% em 2006, um aumento de 15,2 pontos percentuais, a participação das exportações aos países desenvolvidos caiu de 66,1% em 2000 para 50,9% em 2006.'' O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, Célio Porto, do Ministério da Agricultura, avaliou que apesar do bom desempenho do agronegócio nos últimos anos é preciso corrigir os problemas que prejudicam o setor.
Entre essas dificuldades, Porto citou a falta de infra-estrutura e a dependência externa por fertilizantes. Em relação à infra-estrutura, ele contou que não há prejuízos efetivos para a exportação, pois o mercado mundial é comprador. ''O prejuízo acaba saindo do bolso do produtor, mas como a demanda por alimentos está aquecida é preciso aceitar o preço de venda dos produtos'', afirmou. ''No caso da soja, a maior parte da produção está no Mato Grosso, onde a infra-estrutura é mais ineficiente.''
Ele também falou sobre o abastecimento do mercado interno por fertilizantes. Porto contou que cooperativas de produtores estão se organizando para importar fertilizantes, comércio que até agora é feito por um número pequeno de empresas. A idéia do governo era organizar grupos de cooperativas para estimular a participação delas no mercado externo como exportadoras, mas o agravamento do quadro de oferta de insumos agrícolas no mercado interno levou a uma reavaliação da tática de atuação. A idéia é importar potássio, fosfatados e nitrogenados do Norte da África.

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