Quatro presidentes debatem, no Chile, a crise argentina
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quarta-feira, 15 de agosto de 2001
Agência Estado 
O caos econômico da Argentina leva quatro presidentes latino-americanos a se reunir hoje, reservadamente, para discutir os meios de aquele país sair de um círculo vicioso que arrasta consigo toda a vizinhança. Convocados para a reunião do Grupo do Rio, que começa oficialmente amanhã em Santiago, Fernando Henrique Cardoso, o argentino Fernando De la Rúa e o mexicano Vicente Fox serão recebidos na casa do chileno Ricardo Lagos, no bairro de classe média alta de Providéncia, às 19h30. A conversa informal deverá ainda recair sobre as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e o possível lançamento de uma nova rodada na Organização Mundial do Comércio (OMC).
A reunião gera expectativas pelo fato de o Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda não ter fechado um novo escudo financeiro para a Argentina e pelo consenso desses mesmos presidentes de que só esse acordo não será suficiente para estancar a sangria no país vizinho.
Os quatro já deram sinais de que concordam que somente um apoio substancial dos países mais ricos e dos organismos de financiamento internacionais para a Argentina poderá levar à recuperação da confiança dos agentes internos e externos, realimentar o aumento da atividade argentina e acabar com as especulações sobre os países vizinhos.
Assustados com o impacto da crise nas economias locais, no início do mês, FHC e Lagos decidiram enviar cartas aos membros do G-7, o grupo das economias mais industrializadas do mundo, com o pedido de apoio à Argentina. Fox foi chamado a participar. Recusou-se inicialmente, mas voltou atrás fez declarações em favor da ajuda dos mais ricos e ainda alegou a paternidade da idéia.
O encontro segue um modelo proposto por Lagos há dois anos, de reuniões informais entre os presidentes das quatro maiores economias da América Latina sobre temas da agenda internacional que considerem relevantes. A primeira reunião se deu em um almoço, logo depois da posse de Fox. A segunda vez foi em Quebec, quando se deu a reunião de Cúpula das Américas. Assim como nas outras ocasiões, a terceira experiência seguirá as mesmas normas: só estarão presentes na sala os presidentes; não haverá nem chanceleres nem secretários para anotar as conversas.


