Quatro consórcios liderados por bancos e consultorias estrangeiros se credenciaram ontem para fazer a modelagem e precificação da Companhia Paranaense de Energia (Copel), primeiro passo para a privatização. Três apresentaram proposta para o serviço B (modelagem e preço) e apenas o grupo Booz Allen entregou os envelopes para o serviço A (precificação). A entrega dos envelopes foi feita com precisão às 14h30. O rigor no horário, exigido pela Comissão Especial de Licitação, fez com que o consórcio União de Bancos Suíços/Warburg (UBS) perdesse o prazo e gerasse um pouco de confusão.
A determinação da comissão gerou verdadeiro corre-corre dos representantes do UBS, que aos 14h35 minutos ainda estavam tentando entrar no elevador do prédio da Secretaria da Fazenda. Pelo edital de licitação eles teriam de estar, pontualmente, no auditório que fica no 16º andar. ‘‘A lei não foi feita por mim. Temos que tratar todos os casos com igual rigor. 14h30 são 14h30’’, sentenciou a presidente da Comissão Especial de Licitação, Lúcia Biscaia.
Os cinco representantes do UBS ficaram desnorteados e tentaram argumentar que estavam dentro do prédio na hora determinada. Mas depois saíram convencidos de que cometeram um erro fatal. ‘‘Não cabe recurso’’, admitiu, mais tarde, um dos membros que não quis dizer seu nome.
Tristeza de uns, alegria dos três consórcios do serviço B que conseguiram eliminar um adversário de peso, como era considerado o UBS. Para o serviço B – que será remunerado em R$ 2,5 milhões, mais taxa de comissão – os grupos são: consórcio Deutsche Bank, Máxima Consultoria e Azevedo Sodré Advogados; consórcio Diamante (Dresdner, Kleiwort Wasserstein, Banco Fator, Fator Projetos e Assessoria, Ulhôa Canto, Rezende e Guerra Advogados e J.P Engenharia) e consórcio HSBC, Banco Brascan, Duarte Garcia Caselli Guimarães e Terra Advogados, Capitaltec e Trevisan Consultoria. O serviço A ficou só com Booz Allen & Hamilton do Brasil Consultoria, que receberá R$ 1 milhão.
O número reduzido de propostas ocorreu pelas regras do edital, consideradas excludentes para os pequenos grupos. ‘‘Surpreendeu não ter concorrente, pois esperávamos pelo menos seis. A exigência do edital era muito grande’’, avaliou Ery Bernardes da Booz Allen.
Os grupos entregaram três envelopes com a documentação do consórcio, proposta técnica e preço do serviço. A disputa deve ser acirrada. ‘‘A diferença entre as propostas técnicas deve ser no máximo 5%. O que definirá será o preço’’, avaliou o representante do Deutsche Bank, Haroldo Fleischfresser.
A Comissão de Licitação tem até sexta-feira para anunciar o resultado da habilitação. Não há prazo para sair o resultado final da concorrência.

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