Cláudia Lopes
De Londrina
Na semana passada o Ministério Público do Paraná entrou com denúncia na Justiça, no Fórum de Cascavel, contra empresas envolvidas no golpe do cupom fiscal. A informação foi dada ontem pelo secretário de Estado da Fazenda, Giovani Gionédis, durante operação da Receita Estadual em Londrina (leia ao lado).
As denúncias, segundo a Promotoria de defesa do Patrimônio Público do Paraná, foram oferecidas contra as seguintes empresas sediadas em Cascavel: Pedro Muffato e Cia. Ltda. (Supermercados Muffatão), Assistência Equipamentos de Informática, Equipamentos TDL e Deecken, Maier; além da Ciss Informática, que fica em Dois Vizinhos. Baseadas nos dados colhidos pela Receita Estadual em junho deste ano durante uma grande operação em vários supermercados do Paraná, as denúncias foram feitas em nome dos donos das empresas (pessoas físicas).
O diretor da coordenação da Receita Estadual, João Manoel Delgado Lucena, disse ontem à Folha que mais empresas deverão ser processadas depois que a Receita concluir a auditoria, dentro de 60 dias. O golpe do cupom fiscal, como ficou conhecido, é considerado um dos maiores já realizados no Estado e foi descoberto por causa de uma denúncia anônima feita por carta enviada à promotoria de Defesa do Patrimônio Público do Paraná em fevereiro deste ano. Depois de muita investigação, a Receita Estadual promoveu uma operação, há três meses, deslacrando máquinas registradoras e recolhendo cupons fiscais em 27 supermercados do Estado. As outras empresas, segundo Lucena, constavam nos arquivos da Ciss Informática.
Conforme a Receita Estadual, através de um software as empresas conseguiam sonegar o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O programa de computador permitia que as memórias parciais de impressoras fossem apagadas ao longo do dia, não registrando todas as vendas.
Lucena disse não saber ainda o montante dos prejuízos ocasionados pelo golpe. ‘‘Vai ultrapassar R$ 10 milhões’’, limitou-se a afirmar.
A Folha apurou ontem, junto à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, que apenas na loja do supermercado Muffatão, no bairro Neva, em Cascavel, o imposto sonegado acrescido de multa e juros é de R$ 903.512. O empresário Pedro Muffato, dono do grupo Muffatão, não foi encontrado pela reportagem ontem.

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