Quatro consórcios realizaram ontem o depósito mínimo de R$ 177 milhões que lhes garantirá o direito de participar do leilão de privatização da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), hoje: Tractebel, VBC, Light e Opportunity/Sul. O leilão foi confirmado pelo secretário estadual de Energia, David Zylbersztajn.
Operadores do mercado de capitais acreditavam até o fim da tarde que a disputa deverá ficar entre a VBC e a Light e apostavam num ágio de até 40% sobre o preço mínimo estabelecido pelo governo, de R$ 2,092 bilhões, pelos 67% de ações ordinárias da CPFL em poder do Tesouro estadual e da Companhia Energética de São Paulo (CPFL), maior acionista da companhia.
‘‘Pelo momento em que vai ser realizado, o leilão da CPFL será mais importante do que o da Vale do Rio Doce’’, afirma o diretor da Banval Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários Ltda., Celso Pedro Senise Júnior. ‘‘Será uma demonstração do governo brasileiro aos investidores estrangeiros que o processo de privatização vai continuar, mesmo com os problemas ocorridos nas bolsas de todo o mundo.’’
Há cerca de duas semanas, antes da queda nas bolsas, especialistas em mercado de capitais acreditavam que o ágio do leilão da CPFL poderia chegar a 80%. Até o fim da tarde de ontem, várias especulações sobre a disputa rondavam as corretoras de valores de São Paulo. O rumor mais forte era de que a VBC - consórcio montado pelos grupos Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa - levará dois envelopes à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), onde será realizado o pregão, a partir das 9h30.
Num dos envelopes, estaria timbrado um preço bem próximo do mínimo estabelecido, para o caso de a disputa não ser tão acirrada. Noutro, constaria um valor com ágio bem maior, próximo dos 40% esperados pelo mercado. Conforme o clima reinante alguns minutos antes do leilão, os representantes da VBC optariam por entregar um ou outro envelope para ficar com a CPFL.

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