Cláudia Lopes
Os bancos Itaú, Bradesco, Bozano Simonsen e Unibanco devem participar do leilão de privatização do Banco do Estado do Paraná (Banestado), segundo o presidente do banco, Reinhold Stephanes. Ele espera que outros quatro bancos internacionais também enviem suas propostas. ‘‘Pelas informações do mercado, o leilão será bastante concorrido’’, afirmou o presidente do banco, que participou de reuniões de trabalho e visitas à clientes nos últimos dois dias na região de Londrina.
A privatização do Banestado está prevista para acontecer em março do próximo ano. Segundo Stephanes, o banco deve ser colocado à venda por cerca de R$ 400 milhões, valor do patrimônio líquido previsto para daqui a oito meses. ‘‘O ágio vai depender do nível de competição’’.
O ponto forte do Banestado, na opinião de Stephanes, é sua marca e o fato de ser paranaense. ‘‘Além de ser uma porta para o Mercosul, o Estado é o que atualmente mais cresce no País’’, afirmou.
A empresa de consultoria que fará a avaliação do Banestado será definida por licitação, que já está aberta. Os envelopes com as propostas dos interessados devem ser entregues até o próximo dia 20. ‘‘Até o final deste mês, deveremos conhecer o nome da vencedora’’, previu Stephanes.
Desde o início do ano, o Banestado passa por reestruturações. ‘‘Diminuimos o número de diretorias de 12 para cinco e demitimos dois mil funcionários pelo Plano de Demissão Voluntária’’, afirmou Stephanes. O banco, que gastou R$ 136 milhões neste plano, deve economizar mensalmente R$ 7 milhões com as demissões. ‘‘Vamos recuperar o investimento em menos de dois anos’’.
Além de 30 postos de atendimentos, 14 agências estão sendo fechadas em todo o Estado por serem consideradas irrecuperáveis. ‘‘Também fechamos nossas agências em Nova Iorque e Ilhas Cayman’’, disse Stephanes. O Del Paraná vai a leilão no final deste mês. ‘‘Ficaremos com 380 agências e 150 postos de atendimento, empregando 8 mil funcionários’’.
Depois que o Banestado for vendido, tornando-se um banco de varejo, o governo do Estado deve lançar a ‘‘Agência de Fomento do Paranᒒ, retomando as atividades de fomento, através da liberação de crédito para produtores rurais e empresas. ‘‘Hoje, estas atividades estão praticamente paradas’’, disse Stephanes.
Os títulos da carteira de fomento do Banestado serão repassados ao governo do Estado nos próximos meses - rendendo um aporte de R$ 700 milhões ao banco. No programa de saneamento do Banestado, o governo já fez um aporte de R$ 2,8 bilhões. Uma parte deste dinheiro é referente a títulos públicos emitidos pelos governos de Alagoas e Santa Catarina e cidades do Estado de São Paulo. ‘‘Ao todo, serão aportados R$ 4,5 bilhões na capitalização do banco’’, completou Stephanes.

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