Quase metade dos brasileiros usa aplicativos em operações financeiras
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quarta-feira, 17 de junho de 2015
Guilherme Batista<br> Reportagem Local 
São Paulo - Smartphones e tablets tornaram-se itens indispensáveis para os brasileiros. Tanto é que o número de celulares superou o total de habitantes do País em mais de 40 milhões neste ano: São 200 milhões de pessoas contra 240 milhões de gadgets no Brasil. Os dispositivos deixaram de ser meros instrumentos de comunicação, e passaram a fazer parte do cotidiano financeiro de seus usuários. Uma pesquisa da CA Techonologies, empresa global de softwares para segurança, mostra que 45% dos brasileiros que têm smartphones e/ou tablets os utilizam em operações bancárias, e 44% para compras. Já na média global, os serviços de banco via aplicativos digitais são feitos por 49% dos usuários pesquisados, e as compras por 48% deles. O levantamento foi apresentado pela CA no primeiro dia da Ciab Febraban 2015, maior exposição de tecnologia para o mercado financeiro da América Latina, que ocorre em São Paulo até hoje.
Atualmente, segundo o vice-presidente da CA na América Latina, Rosano Moraes, as instituições financeiras têm mais desenvolvedores de softwares do que grandes empresas ligadas ao setor da Tecnologia da Informação (TI). "Elas perceberam que os programas, em muitas vezes, importam mais do que a marca", destacou. Ele lembrou, entretanto, que as instituições precisam tomar cuidado com a repercussão negativa de um programa virtual. "Atualmente, várias classes sociais têm acesso à tecnologia no País. Esse pessoal passa a fazer parte desse mercado e, consequentemente, influencia e, ao mesmo tempo, é influenciado pela repercussão dos aplicativos, seja ela positiva ou negativa. Por isso que é comum a gente ver um programa bom sendo descartado de forma muito fácil", argumentou.
Moraes também chamou atenção para o fato de a infraestrutura de telecomunicações do País prejudicar, em muitas vezes, a reputação de determinado aplicativo. "Pode ser que o programa seja bom, mas não funciona por conta da internet móvel, horrível em determinados lugares do Brasil", disse. Na avaliação dele, a empresa deve ter governança também sobre esse processo. "Uma instituição financeira precisa ter estrutura para gerenciar esse ambiente, monitorar, por exemplo, os elementos que estão comprometendo esse tempo de resposta, já que o serviço é composto por uma cadeia complexa de fornecedores", frisou. "É a obrigação de quem quer manter seus clientes", concluiu.
A pesquisa da CA Technologies apontou, ainda, que os brasileiros têm facilidade em perder a paciência com os aplicativos de smartphones e tablets. Conforme o estudo, 44% dos entrevistados no País costumam desistir do app caso o dispositivo não funcione em até três segundos. Na média do restante do mundo, 68% dos pesquisados responderam que um tempo de até seis segundos é aceitável. Ou seja, o grau de tolerância do brasileiro com os programas corresponde à metade da média global.
Ainda pela pesquisa, 48% dos consumidores brasileiros consideram como muito importante o fato de o aplicativo ter um layout de fácil acesso. Já 40% dos brasileiros entrevistados disseram que só compram o programa caso tenham certeza de que vão conseguir executar as tarefas previstas nele com facilidade. A pesquisa também levantou que 8% dos entrevistados brasileiros abandonariam uma marca para sempre se enfrentassem problemas relacionados à segurança do aplicativo. Na média global, o índice ficou em 10%.
Atualmente, há hoje no mundo mais de 3 milhões de aplicativos. No Brasil, o mercado ainda engatinha, segundo o vice-presidente da CA Technologies. "O País precisa ter mais, mas levando em conta a percepção do usuário", observou. Na avaliação dele, não adianta nada a empresa criar um aplicativo que trará repercussão negativa para a sua marca. "É preciso ter um cuidado muito grande com a construção desses programas. A instituição tradicional precisa se preocupar em fazer um aplicativo que tenha um satisfatório tempo de resposta e, também, seja fácil de usar", argumentou.
O levantamento ouviu 6,8 mil consumidores e 809 executivos em 18 países.
- O jornalista viajou para São Paulo a convite da SAP Brasil


