Quase dois milhões estão sem emprego em São Paulo
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quarta-feira, 24 de março de 2004
Agência Estado 
São Paulo - O desemprego aumentou em fevereiro nos 39 municípios da região metropolitana de São Paulo e atingiu 19,8% da População Economicamente Ativa (PEA), segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada ontem pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). É o maior índice em um mês de fevereiro desde 1985, quando as duas instituições iniciaram a pesquisa. Em janeiro, a taxa foi de 19,1%.
De acordo com a pesquisa, em fevereiro havia 1,926 milhão de pessoas sem trabalho na região. A pesquisa apurou um acréscimo de 58 mil pessoas (3,7%) no contingente de desempregados, decorrente da eliminação de 109 mil vagas. Esse número foi atenuado pela saída de 51 mil pessoas do mercado de trabalho. O recorde anterior para o mês de fevereiro era de 19,1% da PEA, índice registrado tanto em 2002 quanto em 2003, que se repetiu também em janeiro deste ano.
As demissões ocorreram em todos os setores, mas sobretudo no de serviços (42 mil). Outros 25 mil eram do comércio, 21 mil da indústria e 21 mil de outros segmentos. Houve decréscimo também no número de assalariados com e sem carteira de trabalho assinada, de 28 mil e 30 mil, respectivamente.
Março deve apresentar nova alta no índice de desemprego na região, de acordo com a expectativa de Paula Montagner, gerente de análises da Fundação Seade, e Clemente Ganso Lúcio, diretor-técnico do Dieese. Isto porque, segundo eles, a queda ou pelo menos a estabilidade da taxa costuma ser historicamente verificada apenas em abril.
Os dois técnicos preferiram não apostar em números, mas lembraram que a taxa saltou de 19,1%, em janeiro, para 19,8% no mês seguinte. O índice de desemprego apenas no município de São Paulo, que responde por 60% da PEA da região, subiu de 18,1%, em janeiro, para 19,1% no mês passado, abaixo do crescimento total. Nas demais cidades, o avanço foi de 20,3% para 20,7%, com destaque para a região do ABC, com aumento de 18,6% para 19,6%.
Entre os grupos que mais sofreram com o desemprego na região no mês passado, estão homens (4,8%), filhos (5,9%) e adolescentes de 15 a 17 anos (7,1%). Por segmento, os mais prejudicados foram homens (de 47,3% para 47,9%), pessoas de 10 a 24 anos (de 45,9% para 47,2%), pessoas com ensino médio completo e superior incompleto (de 32,2% para 33,6%) e filhos (de 43,1% para 44,7%).


