Curitiba - Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgada ontem mostra que 88,5% dos responsáveis pelos domicílios no Sul do País se sentem seguros em sua ocupação atual. Esse foi o melhor resultado entre as cinco regiões pesquisadas e maior que a média nacional, que foi de 77,8% para o mês de fevereiro.
Os chefes de família do Sul são também os que mais esperam melhorias profissionais nos próximos seis meses (59,1%). A situação de segurança no trabalho se estende aos demais membros da família e atinge um percentual de 85,5% nos três Estados do Sul.
''No Sul, as pessoas são mais qualificadas e bem preparadas, por isso, a expectativa é mais otimista'', disse o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, Erivelton Guedes. ''O Sul é um outro Brasil. Tem uma herança cultural europeia voltada para o trabalho, para a produção de qualidade e com valorização da educação'', destacou.
Elaine Munhoz, gerente de marketing da rede de supermercados Condor, disse que durante toda a carreira profissional teve a sensação de segurança no trabalho porque procura fazer sempre o melhor. Ela está há quatro anos no grupo e já recebeu uma promoção. ''Hoje, não vejo a necessidade de sair da empresa para crescer. Tenho reconhecimento profissional'', afirmou.
Outro aspecto positivo é que a região é a que possui menor proporção de famílias menos endividadas, apenas 5,2% contra 6,3% em janeiro. O Sul tem ainda o maior percentual de pessoas com expectativa de pagamento de contas atrasadas (27,6%).
O pessimismo aparece no quesito que trata da situação econômica brasileira nos próximos 12 meses. O levantamento do Ipea aponta que no Sul e no Nordeste foram registrados os maiores índices de expectativas pessimistas com 23,4% e 27,6%, respectivamente. Para os próximos cinco anos, a expectativa para a economia do País é melhor para 62,2% dos entrevistados e pior para 15,9%.
Quando o assunto é a situação financeira da família em relação a um ano atrás aparece queda de 73,7% para 65,2% das famílias otimistas e aumento de 19,8% para 25,1% entre aqueles que consideram a situação pior em fevereiro na comparação com janeiro.
Em relação às expectativas sobre a situação financeira da família para o próximo ano, 75,1% acreditam que estará melhor, 13,9% pior e 11% não souberam responder. O Sul apresentou a maior proporção de famílias que afirmam não saber como estará sua situação financeira no próximo ano.
As previsões para consumo também não são nada otimistas. Em fevereiro, 55,5% acreditavam que agora é um mau momento para adquirir bens de consumo duráveis.
Os dados fazem parte do Índice de Expectativas das Famílias (IEF). Esta é a sétima pesquisa mensal do Ipea, realizada em 3.810 domicílios distribuídos por mais de 200 municípios em todos os Estados.

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