Quase 8 milhões de famílias ainda buscam primeiro imóvel
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O crescimento da renda familiar e a maior facilidade de crédito fazem com que 7,9 milhões de famílias da classe média demonstrem intenção de comprar a casa própria nos próximos dois anos, segundo pesquisa do instituto Data Popular. Em Londrina, a previsão é que o mercado continue aquecido no mínimo pelos próximos cinco anos, principalmente para recém-casados e pessoas que buscam o primeiro imóvel.
Conforme o levantamento, quatro em cada cinco famílias com essa vontade, ou quase 6,5 milhões, pretendem usar financiamentos. As demais devem usar recursos próprios ou consórcios. A maioria, porém, não vive em moradias alugadas, mas em casas próprias. No País, 75% é dono do imóvel e o número aumenta para 78% na região Sul. "Boa parte dos que querem adquirir um imóvel é formada também por recém-casados que vivem com os pais e sogros, por exemplo ", afirma o sócio diretor do Data Popular, Renato Meirelles.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) no Norte do Paraná, Gerson Guariente Junior, afirma que a maior quantidade de residências colocadas no mercado no País é voltada à chamada "primeira compra". "São para o público de 25 a 35 anos, considerados no início da vida economicamente ativa."
Ele explica que essa fatia da população faz parte da maior janela demográfica por faixa etária no Brasil, que tem a oportunidade de aproveitar um cenário atrativo para a compra de residências. "Há disponibilidade de crédito, estrutura estável de emprego e inflação baixa, que se alia a essa intenção de comprar um imóvel."
Gerente da Yticom Construção e Incorporação, Sandro Sadao Nagata afirma que o público principal da empresa, especializada em imóveis para a classe média, é formado justamente por recém-casados. Ele lembra, no entanto, que é preciso ter opções também para famílias grandes que passaram a ter acesso a esse tipo de produto apenas nos últimos anos. "Temos clientes que não são jovens, mas que conseguiram atingir a renda necessária só agora para comprar o primeiro imóvel e buscam algo maior", diz.
Nagata avalia que a classe média é a que mais demora a reagir quando o cenário econômico do País melhora e a primeira a se retrair quando piora. Mesmo assim, considera que há um campo grande a ser explorado. "No mínimo, vai continuar muito bom pelos próximos cinco anos. Tivemos um boom fora da curva de crescimento por uns dois anos, mas o mercado se estabilizou e deve seguir assim", conta.
Para o gerente da construtora Vanguard Home em Londrina, Olavo Batista, é necessário apresentar novidades para manter as vendas em alta. A expectativa na empresa, também especializada na classe média, é de crescer de 5% a 7% neste ano, com o fortalecimento de políticas públicas para incentivar o setor. "A cadeia produtiva da construção civil é muito abrangente e importante para o desenvolvimento da comunidade local na geração de empregos formais, na movimentação do comércio e de prestação de serviço", diz.
Batista acredita que o trabalhador encontra hoje, no mercado imobiliário, a oportunidade de poupar em longo prazo. "Por exemplo, um apartamento é um investimento seguro e, ao mesmo tempo, um projeto de vida."
Critérios da pesquisa
O público de classe média está hoje em 54% das residências brasileiras, segundo o Data Popular. O critério de classificação econômica usado é o mesmo da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, pelo qual a classe média tem renda familiar mensal de R$ 1.110 a R$ 3.875.



