Quase 500 mil limparam o nome no SPC
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quarta-feira, 01 de setembro de 2004
Janaina Lage<br>Agência Folha 
Rio de Janeiro - A recuperação da economia levou o País a ganhar um contingente de 439 mil pessoas que conseguiram regularizar suas dívidas nos primeiros 20 dias de agosto, de acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Com o nome limpo na praça, vários consumidores se reabilitaram a comprar a crédito. Em julho como um todo 923 mil pessoas saíram da inadimplência.
Até o dia 20 do mês passado, 2,550 milhões de pessoas tiveram o nome incluído no Serviço de Proteção ao Crédito, enquanto 2,989 milhões foram excluídas - daí o saldo positivo de 439 mil pessoas em dia.
Os últimos dois meses representam uma reversão na tendência de aumento na inadimplência. Em junho, por exemplo, o país ganhou 321 mil novos inadimplentes. ''Estamos tendo um reaquecimento gradual na economia, que só tende a crescer. Com isso, foi antecipada a queda na inadimplência, que tradicionalmente acontece em outubro e novembro. Neste ano, (essa tendência) já começou forte em julho'', afirma Edson Monteiro, presidente do SPC Brasil.
O número de consultas ao banco de dados da organização caiu 40% na comparação com o mês de julho. ''É uma queda relativamente rotineira nas consultas, seguindo a queda da inadimplência. Quando o consumidor paga, deixa de adquirir'', diz Monteiro.
O volume de consultas é um dos indicadores do nível de atividade do comércio, já que ela é feita por empresas que precisam checar o cadastro de clientes que solicitam crédito para comprar produtos.
O banco de dados do SPC é composto por 140 milhões de cadastros de pessoas físicas e 16 milhões de cadastros de pessoas jurídicas. O sistema é acessado diretamente por 1,5 milhão de operadores, representantes de cerca de 550 mil empresas em todo o País.
Apesar da queda na inadimplência, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o consumo está crescendo. No segundo trimestre, o consumo das famílias cresceu 5% na comparação com o mesmo período do ano passado. Este foi o melhor resultado desde o segundo trimestre de 1997. O crédito facilitado e o crédito habitacional estariam agindo como indutores do crescimento do consumo. A recuperação da demanda ainda depende do acompanhamento da capacidade de endividamento, da renda e da taxa de desemprego, segundo o IBGE.


