Quase 100% das novas vagas de trabalho são informais
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sexta-feira, 01 de dezembro de 2017
Daniela Amorim<br>Agência Estado 

Rio - O número de vagas formais geradas pelas empresas privadas em 2017 até outubro é tão baixo que foi considerado estatisticamente irrelevante pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Desde o trimestre encerrado em abril, quando o mercado de trabalho começou a melhorar, foram geradas apenas 17 mil vagas com carteira assinada no setor privado, o que foi considerado estatisticamente não significativo pelo IBGE.
"No setor privado, praticamente 100% das vagas geradas foram informais. O restante foi serviço público", disse o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, em entrevista coletiva sobre a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) nesta quinta-feira, 30.
Os demais postos de trabalho criados foram: 721 mil sem carteira assinada no setor privado; 676 mil por conta própria; 187 mil empregadores; 159 mil no serviço doméstico; e 511 mil no setor público. Azeredo, calculou que 75,5% dos 2,3 milhões de postos de trabalho gerados no ano, ou cerca de 1,743 milhão de vagas, foram na informalidade.
"Todas as vezes que você tem empregador aumentando junto com trabalhador por conta própria pode ter certeza que é informalidade. Se o empregador não aumenta com a carteira assinada, é aumento de informalidade", alertou Azeredo. "É uma proxy da informalidade, porque tem uma grande chance de boa parte desses trabalhadores serem informais sem carteira no setor privado, serviço doméstico, empregador e trabalhador por conta própria", disse.
Desde o trimestre encerrado em abril, o contingente de desempregados encolheu em 1,308 milhão de pessoas. "Com a geração de vagas e a queda no total de desocupados, o ano de 2017 está sendo atípico em relação ao que vinha ocorrendo", avaliou Azeredo.
Segundo o coordenador da pesquisa, a crise econômica e o cenário político conturbado inibem o processo de investir e empreender, tendo como consequência o aumento da informalidade.
"Você tem uma crise econômica, tem um cenário político conturbado, que de certa forma inibem o processo de investir e empreender, e, consequentemente, tem um aumento da informalidade. As pessoas estão entrando no mercado de trabalho através dos setores de alojamento, alimentação, comércio, construção de baixa qualidade", lembrou o pesquisador. "Acredita-se que esse movimento informal aumentando a massa de rendimento possa movimentar o mercado e possibilitar a criação de postos de trabalho formais", completou Azeredo.
O IBGE ressaltou que o quadro atual do mercado de trabalho é de alta na ocupação e baixa na desocupação. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, porém, a população desempregada continua aumentando. "O que muda é a ocupação, que já passou a apresentar dados positivos", disse Azeredo.
DEMISSÕES
A indústria fechou 85 mil postos de trabalho em apenas um trimestre, o equivalente a um recuo de 0,7% no total de ocupados no setor no trimestre encerrado em outubro em relação ao trimestre terminado em julho. Segundo Cimar Azeredo, o movimento de demissões na indústria, após meses de contratações, pode ser sazonal. A indústria costuma contratar temporários no segundo e no terceiro trimestres para dar conta das encomendas para o fim do ano, mas dispensa parte da mão de obra em seguida.
"Isso pode ser sazonal. A indústria tem se movimentado mais nessa parte do segundo e terceiro trimestres. Agora ela se movimenta ao contrário", explicou Azeredo. "Aí o comércio vai absorver agora parte dessa população (de trabalhadores temporários)", completou.
Também houve demissões em transporte, armazenagem e correio, com 48 mil ocupados a menos, e em agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 139 mil vagas extintas.
O total de ocupados no País, porém, cresceu 1% no trimestre até outubro em relação ao trimestre até julho, com a criação de 868 mil vagas.
Os setores que contrataram no período foram a construção, com 169 mil postos de trabalho a mais; comércio, com 208 mil funcionários a mais; alojamento e alimentação, mais 87 mil; administração pública, defesa, seguridade social, educação e saúde, mais 85 mil; informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com 311 mil a mais; serviços domésticos, 173 mil a mais; e outros serviços, com a geração de 99 mil postos.


