Quase 100% da população do País tem acesso à energia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de maio de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - Atualmente, no Brasil, 100% das pessoas têm acesso à energia elétrica nas cidades e 99% na área rural. No Paraná, a energia está presente para 96% da área rural e 99% na região urbana. No Estado, ainda há 3,5 mil famílias no setor rural que ainda não têm acesso a este serviço e fazem parte do Programa Luz para Todos. A meta da Companhia Paranaense de Energia, é atender estes consumidores até o final deste ano. A maioria das famílias que ainda não conta com luz em casa está no município de Prudentópolis onde há 800 residências sem energia.
A situação do Brasil e do Paraná é melhor do que alguns locais do mundo, nos quais a energia ainda é um privilégio de poucos e onde a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de levar eletricidade a 100% da população até 2030 pode não ser alcançada. Hoje, nada menos do que 1,2 bilhão de pessoas, o equivalente a toda a população da Índia, não tem acesso à eletricidade no mundo, segundo um estudo divulgado ontem, pelo Banco Mundial, que avaliou a situação em 170 países. Cerca de 2,8 bilhões de pessoas ainda precisam confiar na madeira ou outro tipo de biomassa para cozinhar e se aquecer. As regiões onde o acesso à energia elétrica é mais complicado e precário é no sul da Ásia e na África Subsaariana.
O problema brasileiro é que grande parte da energia ainda vem das hidrelétricas. O consultor em energia Niromar Alves de Rezende, defende que é necessário diversificar a matriz energética no País, aumentando o parque eólico e utilizando mais a biomassa. ''Considero as usinas termelétricas um mal necessário. O custo de geração delas é maior porque utilizam combustíveis fósseis'', disse.
Hoje, o Brasil é também o sétimo maior consumidor de energia do mundo e o fato de levar energia a quase 100% dos consumidores o afasta da lista dos 20 mercados com os piores deficits energéticos do mundo. A Índia lidera o ranking, que tem basicamente países da África e Ásia, como Filipinas, Congo, Etiópia e Indonésia. Já China e Estados Unidos encabeçam o ranking dos maiores consumidores globais.
Só EUA e China respondem por cerca de 40% do consumo primário de energia no mundo. Já o grupo dos 20 maiores consumidores responde por 80% do consumo primário global. A equipe do Banco Mundial destaca que é neste grupo de países que os esforços para aumentar a geração de energia renovável de fontes não tradicionais precisam ser concentrados. Considerando o período acumulado de 1990/2010, o Brasil tem a décima maior demanda mundial por energia básica.
Para o consultor da consultoria Enercons, Ivo Pugnaloni, a posição do Brasil em consumo de energia é reflexo da posição do País na economia mundial. O Brasil é a sexta economia mundial. Ele disse que mesmo com o bom abastecimento de energia tanto no País quanto no Paraná, hoje o grande entrave para atrair investimentos de novas indústrias ainda é a dependência das usinas termelétricas. Segundo Pugnaloni, quando o reservatário das hidrelétricas está baixo, é preciso usar as termos e o custo do serviço fica ainda mais caro.
Segundo ele, mesmo com a abundância de energia, o que ainda afasta investidores é o custo do serviço no Brasil, a quarta mais cara do mundo só perdendo para países como Itália, Turquia e Croácia. ''Com este custo, o Brasil está perdendo em competitividade'', destacou. (Com agências )


