O setor de combustíveis no Brasil subverte a regra básica do capitalismo segundo a qual a concorrência resulta em diminuição dos preços. Quanto mais postos houver numa cidade, mais caro será o etanol, a gasolina e o diesel. Quem defende essa ideia é Roberto Fregonese, presidente do sindicato que representa os postos no Paraná, o Sindicombustíveis-Pr.''Quanto mais revendedores, mais o produto encarece porque o bolo fica mais dividido e nós só temos um fornecedor (Petrobras)'', alega.
Segundo ele, foi o sindicato que sugeriu aos vereadores a inclusão - no Código de Posturas de Londrina - de distâncias mínimas que os postos devem manter entre si e em relação a outros estabelecimentos. De acordo com o Código (lei 11.468), aprovado em dezembro do ano passado, novos postos só podem ser instalados a 1.500 metros ou mais de outro já existente. Supermercados e outros estabelecimentos que concentram pessoas também devem observar uma distância de 300 metros ou mais dos postos.
Fregonese diz que o objetivo do Sindicombustíveis ao defender essas normas foi o de garantir a segurança em Londrina e não estabelecer uma nova Lei da Muralha. A expansão do gás natural nos próximos anos seria um motivo a mais para se tomar medidas preventivas. ''Tivemos um acidente no México onde houve uma explosão no posto que levou um quarteirão pelos ares. Morreram 200 pessoas'', afirmou.
A distância de 1.500 metros seria uma média definida pelo sindicato após análise de legislações de vários países. Em Curitiba, a distância mínima entre dois postos deve ser de 1.000 metros. Já um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados prevê 500 metros.
Apesar de alegar motivos de segurança, Fregonese diz que a cidade ''têm o dever de criar espaços para todo tipo de estabelecimento''. Ele fez a afirmação ao ser questionado sobre a proibição de se instalar supermecados a menos de 300 metros dos postos em Londrina. ''Temos que ver que os grandes supermercados vieram engolindo os mercados de bairro. As cidades precisam criar espaço para todos'', admitiu.
'Postos demais'
Segundo Roberto Fregonese, Londrina tem 122 postos de combustíveis, uma quantidade muito superior à sua real necessidade. A média mensal de vendas por estabelecimentos seria de 100 mil litros, o que é considerada muito pequena. Por isso, de acordo com o presidente do sindicato, os revendedores precisam trabalhar com uma margem de R$ 0,35 por litro para garantir ''alguma'' rentabilidade.
Fregonese considera que, se quiser mais postos, a cidade estará optando por correr mais riscos. ''Londrina já é conhecida pela grande quantidade de fraudes nos combustíveis'', ressalta.

Imagem ilustrativa da imagem 'Quanto mais postos, mais caro é o combustível'
mockup