Rio - Um país como o Brasil deveria manter um ritmo maior de crescimento do que os Estados Unidos, afirmou o economista da Universidade de Chicago e Prêmio Nobel de Economia em 1995, Robert Emerson Lucas Jr. "O Brasil deveria crescer 3,5% ou algo perto dessa média". Entre os grandes entraves para o avanço a passos mais largos, segundo Lucas, estão a interferência do governo na economia e o isolamento do Brasil no comércio internacional.
"Toda a América Latina desaponta, e eu acho que isso se deve a barreiras a trocas comerciais. Além disso, há um supercontrole do governo sobre a economia", disse o economista, após palestra promovida pela Escola de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas (EPGE/FGV).
Preferindo não fazer previsões, o economista que foi premiado com o Nobel pela discussão sobre como as expectativas racionais interferem no futuro da economia, afirmou que o Brasil faz um grande esforço na área de comércio internacional, mas obtém pouco ganho. Entre os latinos, ele destacou o Chile, que há pouco parece "ter acordado" para a questão, e o México.
"O que os europeus fizeram foi uma união completa, mas eles também fazem trocas com Estados Unidos e Japão, e esses países também puderam se beneficiar da União Europeia. Na América Latina, ninguém quer fazer isso. Você até tem um acordo entre Brasil e Argentina, mas isso não é nada. Seria como um acordo entre Itália e Espanha", afirmou o economista.
Desde os anos 50, Itália, Espanha e Portugal tiveram uma expansão muito maior na renda per capita anual do que países como Brasil, Argentina e Chile (ainda que o ponto de partida fosse semelhante). Esse desempenho tem a ver com as políticas de cada país ao comércio internacional, ressaltou Lucas, acrescentando que o Brasil registrou a menor evolução no período.
Apesar disso, hoje os italianos sofrem com as perdas causadas pela crise. "O Brasil perdeu menos (com a crise mundial) e deveria crescer mais", disse. "Junte-se ao resto do mundo. Quanto mais livre comércio, melhor."

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