Quanto mais cheio o carrinho, mais o governo arrecada
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quarta-feira, 07 de junho de 2006
Vera Barão<br> Reportagem Local 
A cada carrinho de compras o brasileiro deixa para o governo 30% em tributos. A estimativa é do advogado e presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberto Luiz do Amaral, que esteve em Londrina proferindo palestra sobre o tema na semana passada. Ele acompanhou a reportagem da Folha a um supermercado da cidade para mostrar como os impostos elevam os preços dos alimentos afetando diretamente o bolso do consumidor.
Os produtos de higiene e limpeza, por exemplo, estão nas listas dos que têm uma alta carga tributária. Pelo sabonete, shampoo, condicionador, creme dental, creme de barbear entre outros a tributação é de 43%. O mesmo percentual é cobrado no caso do detergente, sabão em pó, água sanitária entre outros produtos de limpeza. ''Produtos de limpeza são imprescindíveis à saúde e não deviam ter impostos tão altos? Não tem justificativa, não se pode dizer que são produtos que não são necessários'', enfatiza o presidente do IBPT.
Outros disparates também são constatados no setor de bebida alcóolica, refrigerante e água mineral. ''A tributação no refrigerante é uma das mais absurdas de todo o sistema tributário brasileiro'', diz Amaral. Quanto mais alto o valor do refrigerante menor o imposto. Quanto menor é o preço final do refrigerante, maior é a tributação. ''Isso porque a tributação é fixa. Pagando R$ 2,50 numa pet de dois litros, o consumidor vai desembolsar 34% para os tributos. Se pagar R$ 1,50 numa garrafa menor vai estar desembolsando 45% em tributos'', explica.
A cobrança, segundo o economista, deveria ser progressiva, quanto mais alta a renda maior a tributação. No entanto, a política tributária brasileira sobre alimentos pesa ainda mais no orçamento das pessoas de baixa renda. Isso porque ricos e pobres pagam o mesmo imposto para se alimentar. ''Nossa política é contrária à progressividade'', comenta Amaral, acrescentando que o impacto do imposto sobre quem tem menos renda é enorme, o que diminui naturalmente o poder de compra.
O setor de bebidas alcóolicas é o que embute os maiores impostos. Quanto maior o grau alcóolico, maior a tributação. Na cerveja, por exemplo, que tem baixo teor alcóolico os impostos chegam a 56%. Ao comprar duas caixas de cerveja (24 latas) o consumidor está deixando 14 latas em impostos. No caso do vinho são 62% de tributos e a vodka e o uísque têm 65% de tributos embutidos. Se a água tiver gás os tributos chegam a 45%.''Não justifica você ter 45% de tributo numa água mineral'', reafirma Amaral.
Nas frutas, verduras e cereais a tributação é mais baixa, em torno de 18%. Porém, Gilberto Luiz do Amaral explica que não se come arroz ou feijão crus.''Para fazer o arroz e o feijão você tem 40% de tributos no gás; 29% no sal e 32% no óleo. Para tornar o alimento pronto, eleva a tributação''. Sobre os frios a tributação é em torno de 27% e bolachas e biscoitos ultrapassa 30% em tributação.


