As empresas que trabalham com planos funerários assimilaram bem a filosofia de que ''água mole em pedra dura tanto bate até que fura'' e estão revertendo um conceito que até recentemente soava como mau-agouro. Há cerca de 15 anos, quando surgiu esse tipo de negócio em Londrina, era muito difícil abordar as pessoas para vender um produto associado à morte, mas hoje em dia a aceitação é bem maior. Tanto que quatro empreendimentos do setor se estabeleceram na cidade neste período.
O diretor administrativo do Grupo de Apoio Mútuo (Gram), Edmundo Mercer Gomes dos Santos, reconhece que a população está bem mais consciente em relação aos planos funerários. ''Hoje, o assunto é mais motivo de brincadeira do que de medo'', afirma. Ele admite, entretanto, que não foi sempre assim e que no começo, há 14 anos, houve representantes da empresa que deixaram a casa de possíveis clientes sob a ameaça de facas. ''A pessoa dizia que a gente estava agourando, levando a morte para a casa dela''.
Hoje, os vendedores dos planos funerários continuam visitando as residências em busca de novos clientes, mas a mudança de conceito pode ser constatada também por outro motivo: há pessoas que observam bem o atendimento quando vão a um velório, ficam curiosas sobre os custos e, assim, se interessam em participar de um plano que preste esse serviço.
As empresas que trabalham com planos funerários sabem que a morte de um ente querido causa uma série de transtornos aos familiares e é exatamente este tipo de situação que elas procuram amenizar. Seus funcionários entram em ação assim que recebem a informação sobre a morte de um associado. ''A partir daí, a empresa se responsabiliza por tudo, o que é um conforto para a família; tranquiliza bastante'', afirma Santos. Ele acrescenta que este trabalho inclui preparação do corpo, aluguel da capela para o velório, compra da urna funerária, coroa, preparação de lanches para os familiares e transporte.
Uma característica comum a todos os planos é o período de carência, que varia de empresa para empresa. Para o diretor da Gram, o principal objetivo da carência é evitar a má fé de alguns clientes. ''Fica fácil se o pai de alguém sofre um derrame e a pessoa corre aqui para fazer um plano na última hora, mas a partir da carência não importa, por exemplo, se a pessoa tenha ou não uma doença pré-existente''. Santos esclarece também que o limite de idade nos contratos vale apenas para o momento da inclusão no plano. No caso da Gram, o limite é de 80 anos. ''A partir do contrato, não há mais limite de idade''.
Atendimento
A cabeleireira Ana Muhão Pereira adquiriu um plano funerário há sete anos. Ela aderiu a um plano que garantisse atendimento a duas pessoas idosas: a mãe e a sogra. No período de um ano, ambas faleceram e foram atendidas pela empresa, conforme previa o contrato. ''A gente só ligou informando sobre o falecimento e não fez mais nada. Eles cuidaram de tudo, inclusive dos lanches durante a madrugada''. Segundo ela, a família escolheu apenas a urna funerária. Ana faz questão de frisar que não teve qualquer custo nos dois funerais. ''A família fica bem mais aliviada'', comenta.

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