Quando a ética do consumo é deixada de lado
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segunda-feira, 26 de março de 2007
Amanda Valeri<br> Agência Estado 
São Paulo - Pesquisa divulgada ontem pelo Programa de Administração de Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA) aponta que 48% dos consumidores não relacionam produtos ''piratas'' ao crime organizado. O levantamento, feito de 500 consumidores, faz parte da pesquisa ''Ética - Consumo Ético e Consciente'', realizada pelo Provar em parceria com a Canal Varejo - Consultoria de Mercado de Bens e Serviços. O estudo mostra que 35,2% dos entrevistados sempre fazem compras de produtos do comércio ''alternativo''. A maioria (91,7%) aponta o preço como a principal motivação de comprar ''piratas''.
Segundo o coordenador-geral do Provar, Cláudio Felisoni, a ética no consumo é deixada de lado pela vantagem de pagar menos e levar um produto semelhante, embora sem garantias de qualidade e procedência. ''Estes resultados revelam que, embora os consumidores estejam mais atentos às atitudes das empresas, o mesmo critério não é referência quando o consumidor se vê diante de seu próprio ato de comprar'', afirma Felisoni.
De acordo com a análise, os produtos mais consumidos são ''CDs e DVDs'' (67,9%), seguido por roupas (29,8%), brinquedos (24,7%) e perfumes e bijuterias (22,6%). Confrontando os resultados dos ''CDs e DVDs'' por gênero, os homens têm 69,4% na preferência de consumo desses produtos e as mulheres 64,6%. Já na categoria ''roupas'', a relação é inversa: as mulheres revelam 31,8% de preferência e os homens representam 29,8%. Projetando em todas as faixas etárias, os ''CDs e DVDs'' ocupavam a primeira colocação em todas as categorias de idade.
Comparando os resultados por grau de instrução, 54,8% dos entrevistados que tem ''Grau Superior/Pós-Graduação- completo ou incompleto'' não perceberam a relação com o crime, enquanto que entre as pessoas com ''Ensino Fundamental - completo ou incompleto'' a taxa ficou em 40,3%. ''Observa-se que quanto maior o grau de instrução, menos as pessoas percebem a estreita relação entre estes universos de contravenção. Eles consideram um crime tolerável, pois faz bem para o bolso'', explica Felisoni.
Para o secretário-executivo do Ministério da Justiça e presidente do Conselho Nacional Anti-Pirataria, Luiz Paulo Barreto, um trabalho de educação com as universidades do País é fundamental. ''A pesquisa revela uma percepção equivocada das pessoas com grau de instrução elevado. Precisamos fazer um trabalho com as universidades, principalmente as que possuem curso de Direito'', afirma. ''Já temos um trabalho forte em escolas com distribuição de cartilhas, seminários, eventos e até um trabalho com personagens em histórias em quadrinho'', explica Barreto.


