Quando a dívida é um buraco sem fundo
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terça-feira, 29 de novembro de 2005
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
A vida de Antônio ia muito bem. Ele tinha casa própria, um carro, um bom emprego, uma família saudável. Aos 36 anos, dois filhos pequenos, os maiores sonhos dele já estavam se concretizando. E então, um telefonema mudou tudo. Nessa história, só o nome de Antônio é fictício. Todo o resto é bem real, e o drama dessa família é muito mais comum do que parece.
Em 2001, Antônio recebeu um pedido de ajuda do irmão mais velho, que tinha financiado uma carreta e não estava conseguindo pagar as prestações. Foi o começo de uma dívida que virou um pesadelo do qual Antônio não consegue mais sair.
''Todo mês eu mandava 500, 800 ou mil reais. Quando a dívida chegou em 10 mil reais, eu pensei em parar de mandar dinheiro mas aí ele argumentou que iria perder o caminhão. Eu nem sabia mas ele não estava pagando o caminhão coisa nenhuma e no fim daquele ano, o banco tomou o caminhão dele'', conta Antônio. Como o irmão mora em outra cidade, as conversas eram todas por telefone. ''Uma noite, ele me ligou desesperado e pediu para eu levantar 28 mil, para ele recuperar o caminhão. Sem a carreta, ele não podia trabalhar, e não ia poder me pagar nunca''. Antônio emprestou o dinheiro com juros de 3% ao mês. ''Meu irmão prometeu que mandaria o dinheiro das parcelas'', conta. No final do ano passado, o irmão parou de mandar dinheiro. Em março deste ano, segundo Antônio, ele mandou R$ 10 mil e disse que dali em diante só pagaria os juros. ''Depois disso, ele nunca mais quis falar comigo''.
Desesperado, Antônio começou a se endividar cada vez mais. ''Eu emprestava daqui para pagar ali'', indica. Hoje, ele deve para oito financeiras, além de uma dezena de parentes e amigos. O total da dívida, que Antonio controla com anotações simples em cadernos escolares, soma mais de R$ 60 mil.
Com um salário de R$ 1.500, Antonio começa todo mês devendo R$ 3.500. ''Pela primeira vez, estamos passando dificuldades em casa. Eu não sei mais o que fazer'', confessa. Ele trocou o carro por um mais velho, bem usado, e passou a fazer bicos para tentar melhorar o orçamento. ''Já me disseram para vender a casa, mas se eu fizer isso, onde minha família vai morar? Também me aconselharam a decretar falência, mas eu não posso dar o cano nos meus amigos. Eles confiaram em mim'', desabafa.


