Quando a bolsa é a de valores
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A participação das mulheres como investidoras na bolsa de valores é cada vez maior e passou de 14% em 2002 para 25% em 2009. Grande parte delas têm ensino superior completo, renda acima de dez salários mínimos e idade de 30 a 45 anos. Muitas procuram ações mais conservadoras de empresas como a Petrobras e a Vale do Rio Doce. Mas, quando atingem mais conhecimento sobre o assunto, arriscam tanto quanto os homens. Costumam destinar cerca de 5% a 10% da renda mensal para este tipo de aplicação.
A consultora financeira e autora do livro ''Bolsa para Mulheres'', Sandra Blanco, lamenta a falta de educação financeira no currículo escolar, mas destaca que hoje há outros canais de informação como livros, palestras, sites, corretoras e bancos.
No livro, ela conta a experiência de um clube de investimentos no Rio de Janeiro, o Mulherinvest, que já tem seis anos de vida e do qual participam cerca de 100 mulheres. Segundo Sandra, quando a pessoa tem poucos recursos para investir, os fundos de ações ou clube de investimentos são uma boa alternativa.
Os clubes no Brasil são formados por, no mínimo três pessoas, e no máximo, 150. Possuem sempre uma corretora que atua como administradora. A remuneração dos participantes varia conforme o número de cotas que possuem.
Mas, ela destacou que as ações são investimentos de longo prazo, para pelo menos cinco anos. Como a bolsa tem altos e baixos, a pessoa deve investir só o dinheiro que pode ver reduzido em algum momento. ''Se eu perder 40% a minha vida vai mudar? Vou poder continuar pagando minhas contas?''. Essas são perguntas básicas para definir o percentual a ser colocado em bolsa.
O investidor de ações deve ainda acompanhar uma vez por ano a revisão dos planos de investimento do clube e fazer verificações uma vez por mês dos rendimentos. ''O mercado de ações é muito dinâmico e o cenário internacional afeta bastante'', disse.
Jogo da Bolsa
As mulheres que foram à Expo Money nos últimos dois dias em Curitiba, tiveram a oportunidade de participar do Jogo da Bolsa, uma brincadeira de tabuleiro que ensina como investir no mercado acionário. No início da partida, as jogadoras já entendem a dinâmica do mercado e têm noções das diferentes correntes de análises que estudam a bolsa de valores.
Durante o jogo, são informadas notícias do mercado financeiro, notícias genéricas que influenciam nas cotações, análises fundamentalistas e técnicas e até um glossário para traduzir os jargões do mercado.
A coordenadora do jogo, Francine Vieira, explicou que as jogadoras operam na bolsa e, quem multiplicar o capital, vence. ''Leio para elas cartas com notícias reais do mercado que fazem as cotações oscilarem'', contou. As participantes registram o acompanhamento gráfico e o histórico de operações. A estudante de Administração, Ana Paula Costa Maciel, que participou do jogo, disse que é interessante para aprender a operar ações na bolsa e saber a hora de vender e de comprar os papéis.


