Qualificação também é importante
Curitiba - Membros de entidades representativas de empregadores e trabalhadores entrevistados pela Folha aprovam a idéia da reserva de vagas para pessoas com 35 anos ou mais, mas fazem ressalvas. ''As pessoas com 30, 40 anos são consideradas 'velhas' em nosso mercado de trabalho. Sua inserção neste mercado, além de justa, é mais um fator de animação da economia'', diz Cláudio Slaviero, presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP).
''A notícia deste projeto é animadora em um país que viu frustradas, em função de uma política econômica equivocada, as expectativas de criação de milhões de empregos, como foi prometido durante a campanha eleitoral'', complementa ele. Roni Anderson Barbosa, presidente da Central Única de Trabalhadores do Paraná (CUT-PR), afirma ser favorável ao projeto, mas que a implementação da reserva de vagas deve ser temporária.
''Qualquer política de cotas deve durar apenas até o momento em que a situação melhorar. Na questão do emprego, até que se estabeleçam melhores condições de acesso ao mercado de trabalho. Ou seja, até que a economia realmente se aqueça e os níveis de desemprego diminuam'', considera Barbosa.
''É interessante a iniciativa de tentar criar mecanismos para reinserir no mercado de trabalho pessoas com idade acima de 35 anos, mas é necessário fazer com que elas permaneçam neste mercado'', pondera Elaine Ribeiro de Souza Anderle, gerente da Agência do Trabalhador de Curitiba.
''O projeto de lei (de Vicentinho) traz um item relativo à reciclagem profissional de trabalhadores nesta faixa etária, mas apenas para quem já tem emprego. É preciso oferecer oportunidades de qualificação também para quem está fora do mercado'', acredita a gerente.
Elaine Anderle aponta que na Agência do Trabalhador de Curitiba o número de inscrições de jovens interessados em conseguir emprego é maior do que o de pessoas acima de 40 anos de idade. ''Na maioria dos casos, o trabalhador com mais de 40 anos já está colocado no mercado, ou já está desanimado para procurar emprego, ou recorre ao trabalho autônomo ou informal'', explica ela. (F.G.)





